domingo, 29 de março de 2015

# sexto domingo


O Domingo de Ramos tem um tom muito melancólico.
 
É claro que a história da chegada do Senhor, arrastando uma multidão à cidade repleta de escribas, fariseus, autoridades e senhores da lei, tem a sua beleza e traz grandes lições.
 
Mas, para mim, neste fim de quaresma, é realmente uma melancolia que mais me marca com as infinitas releituras que sempre fazemos deste seu percurso, que vai da triunfal entrada em solo reacionário de Jerusalém, passa pela Santa Ceia e acaba no Dia da Paixão.
 
Afinal, carregamos esta angústia ao recordar que o mesmo Cristo que foi aclamado como Rei pelo povo neste Domingo, foi crucificado e morto na Sexta-feira, sob os pedidos de grande parte dessa mesma gente.
 
Neste Domingo, lembramos com ainda mais atenção toda esta derradeira caminhada na Terra do Senhor: a serenidade mortal no Monte das Oliveiras, o Sangue vertido com o suor, o beijo traiçoeiro de Judas, a prisão, os maus-tratos nas mãos dos soldados e dos sacerdotes, o julgamento estúpido diante de Pilatos, a condenação de Herodes, o povo a vociferar pela sua crucificação, as bofetadas, as humilhações, o calvário, o consolo das santas mulheres, o ato venerando do marginalizado na cruz, a sua conversa definitiva com o Pai, a sua morte e a sua sepultura.

Neste Domingo, o Senhor vem, mas não rodeado de pompa, como se fosse conquistar a glória.


Ele não discute, nem grita, e ninguém O ouve; pelo contrário, é sereno, tranquilo e humilde, a se apresentar com vestes pobres e aparência modesta, absolutamente ciente da divina missão a cumprir. 

E, eu, continuo sempre a me perguntar sobre tudo isso, como se já em seguida não soubesse a resposta: eis, claro, o mistério da salvação, e nele a ordem das coisas e as razões pelas quais cá estamos e para que estamos.


Hoje começa a Semana Santa, os sete dias em que o Senhor corre para a sua Paixão e até a Ressurreição da Páscoa.


Difícil, admito, aceitar isto tudo.


Mas não é difícil compreender a nossa infinita pequenez diante deste gesto, diante destas palavras e diante deste máximo sentimento de amor emanados Dele.

Ora, Ele veio ao nosso encontro e conviveu conosco, tornando-se um de nós, para nos elevar e nos reconduzir a si – tudo meio complexo, tudo ainda pouco decifráveis para nós humanos, demasiadamente humanos (Nietzsche).


E, por isso, seria simples dizer o óbvio, como se pretendendo uma fuga deste meu espírito: tenho  a certeza de que só estaria no meio daquele gente que foi ao seu encontro neste Domingo, com ramos às mãos para louvá-lo, e não, e jamais, entre aqueles que lotavam a praça para mandar crucificá-lo, na Sexta-feira... será?


Neste santo dia de Ramos, refletir isso é prostrarmos sob o Senhor, com humildade, sobriedade e integridade, para entender o Verbo e recebermos aquele Deus incontido -- o
u que em algum lugar há de estarmos contidos.

Afinal, como Ele sempre nos ensina, com atitudes, exemplos e palavras, o Seu Reino, de fato, não é deste mundo.


E, se diariamente merecedores, tão-pouco há de ser o nosso.




 

sexta-feira, 27 de março de 2015

# na jugular


 
Esta turma é estranha, no mínimo.
 
A confundir alhos com bugalhos, não percebem o óbvio ululante; maltratados pela "cegueira branca" de Saramago, não olham, não veem e não reparam o que acontece.
 
Afinal, não estamos no auge da corrupção!
 
Pelo contrário, vivemos o auge da punição de um bando de filhos da puta que sempre roubaram no e do Estado.
 
Empresários, profissionais liberais, políticos e servidores públicos que, como "nunca antes neste país", estão sendo descobertos, acusados, presos, processados e condenados.
 
Trata-se de uma verdade insofismável -- tal como aquela que revela ser o crime de "sonegação" financeiramente muito mais prejudicial que a "corrupção" (v. aqui).
 
E como o Estado brasileiro tem feito isso?

Empoderando as suas instituições estratégicas no combate a este crime: Polícia Federal, Controladoria Geral da União, Ministério Público... todos com liberdade, autonomia e instrumentos para atuarem no espírito e nos limites das suas atribuições e responsabilidades.

Além disso, Dilma Rousseff já regulamentou a "Lei Anticorrupção", que vai na jugular das empresas bandidas.

Dilma já encaminhou ao Congresso Nacional -- que certamente não se agilizará -- projetos que tornam crimes a prática de "caixa dois", a "lavagem de dinheiro nas eleições" e o "enriquecimento ilícito de servidor", afinal, acreditem, nada disso ainda é crime...

Afora isso, embora alguns ainda achem que nos faltem a "forca" ou a "masmorra", falta-nos urgentemente proibir o financiamento privado de campanhas (v. aqui e aqui).

Ora, a prática no Brasil -- e no mundo! -- sempre foi proteger os seus filhos brancos, limpos e poderosos.
 
Eram social e moralmente inimputáveis.
 
Para eles -- sim, só para eles -- a presunção de inocência (e a certeza de impunidade) era um fato absoluto, e um escárnio.
 
Sim, contra eles nada se encaminhava (e nem se caminhava) até que se provasse, muito bem provado, quase com a exigência de uma certidão passada em cartório do Céu e assinado embaixo: Deus, com firma reconhecida -- diria Vinícius.

Mas hoje o Estado brasileiro começa a torcer o rabo desta gente, há tanto tempo tão nefasta aos interesses público e nacional.

Até já se começa (vejam só!) a entender que é "feio" roubar do Estado e, tanto quanto, ostentar os frutos disso... Afinal, não nos esqueçamos, é aqui que está o segredo do negócio, ou seja, na educação diária para a transformação moral da sociedade, que prescinde de ordens e diretrizes estatais.
 
E o bando que vai às ruas e circula pelas redes sociais, cheios de palavras de choque e ordem, pregando o caos e o advento de algum falso salvador que expulsará a presidenta eleita da República?
 
Perdoemo-lo, pois não sabe em absoluto o que faz.



 

quarta-feira, 25 de março de 2015

# praxes e trouxas



Surge à tona a questão dos "trotes", quando a mídia vem mostrar as festas & festividades nas quais os calouros universitários são castigados, humilhados e coisificados, como aqui.

Coitados?

Lembro-me bem do meu tempo universitário, e acho meio óbvia a questão: tanto quanto os "veteranos", os grandes idiotas dos casos são também os próprios calouros.

Afinal, por que ir aos tais eventos de boas-vindas promovidos privativamente pelos veteranos?

E, ainda que de modo masoquista queiram lá ir, por que aceitar, serenos e cordiais, a submissão animal a eles imposta?
-- x --
Trata-se de óbvio ululante que, nos primeiros meses de vida universitária, toda reunião extramuros tem por alvo esculhambar com os calouros.

Cocô, lixo, blush, tinta, mijo, raspagens, agressões, lesões, roubos e extorsões, tudo conspira para que os calouros sejam humilhados.

Repergunto: por que ir nestes negócios?

À minha época, quando calouro na UFPR, lembro-me de alguns colega, todos esfuziantes, que tinham a plena (in)consciência do que aconteceria nas tais "recepções" e, mesmo assim, iam para depois curtirem a experiência do que sofreram -- e, às vezes, lamentarem, como se não fossem responsáveis pelo que haviam cativado, quase Pequenos Príncipes às avessas... -- e se creditarem, orgulhosos, para fazer nos calouros do ano seguinte tudo aquilo a que se submeteram.

Dizem que isso tudo faz parte da jovem idade; encaro, porém, como parte da imbecilidade.

Afinal, só otários vão para "eventos" desta natureza, ou enxergam algo de sublime em dar ou receber "trotes" desta natureza diante de uma massa de desconhecidos.

E, se antes das redes sociais essa coisa toda já era ultrabadalado, imaginem agora, tendo à mão um facebook que instantaneamente mostra ao mundo a sua "nova fase", a tua badalada testa pichada de bosta e o teu corpo banhado de ovo bento... não é o máximo isso?

-- x --
E não tão estúpido quanto ir é aceitar aquilo tudo, submisso.

Será que o calouro rebelde seria submetido a tratamento tão degradante quanto aquele oferecido à coletividade (ou à manada) de calouros?

Certamente não, afinal, poucos crimes restariam para além daqueles normalmente praticados pelos veteranos nesses tipos de "eventos".

Repergunto: por que não se rebelar?

No meu início de carreira desportiva, eram frequentes as viagens com atletas mais velhos -- à época, eu com 13 e a grande maioria com 16 anos, significava a mesma coisa que a distância entre as eras cenozoica e paleozoica -- e, não raras as vezes, havia o conflito entre "veteranos" e "calouros".

Numa delas, para alguma cidade do interior do Paraná, na noite em que toda a chefia da delegação havia saído para jantar, já sabia que coisa boa não viria.

Dito e feito.

Atenienses de um lado -- uns doze --, e nós três calouros do outro.

Os veteranos querem impor um jogo: "cubol", que pelo nome já dá para se ter uma mínima imaginação -- mas, acreditem, é muito pior.

Ainda mais novo que os outros dois colegas calouros, fui o primeiro a ser apontado como um dos "jogadores".

Insurgi-me: "Não!... E podem me matar!", complementei.

Desaforos, ameaças, ofensas, pequenos tapas e empurrões... nada me desabalava e nada me faria ir para aquele "jogo".

Era, ali, um digno espartano.

E não fui -- e, acho, não me mataram.

Hoje, duas décadas depois, ainda me vem à memória a imagem dos outros dois colegas, felizes e saltitantes pelo descontraído (?) momento, correndo pelados, de cócoras, de um lado para outro daquela imensa sala, com uma bolinha de ping-pong (ou um sabonete ou uma tampa de shampoo, já não lembro) enfiada por entre as nádegas e com o pouco sublime objetivo de empurrar para o "gol" armado por tênis...

Não acho, pois, que "trotes" deste tipo façam parte da "formação" de ninguém.



quarta-feira, 18 de março de 2015

# sangue nas veias


E como um dos itens presente em nove de dez listas que se faz apresenta como agenda para a “reforma política”, o financiamento público de campanhas destaca-se com importância ímpar (v. aqui).

Por quê? Porque é crucial para que se mitigue a elitização das campanhas, a nobiliarquia nos cargos eletivos (e comissionados) e, claro, o toma lá - dá cá de quem está no poder com quem quer se beneficiar do poder.

E exemplos não nos faltam.

Qualquer campanha para deputado nos maiores Estados brasileiros não sai por menos de R$ 2 milhões; nos grandes centros, qualquer campanha para prefeito ou governador atinge R$ 5 milhões; para a presidência da República, os números causam inveja aos tios patinhas de plantão. Pior. Os dados mostram que os gastos de candidatos e partidos políticos com campanhas eleitorais saltaram de quase R$ 800 milhões nas eleições presidenciais de 2002 para R$ 4,6 bilhões em 2012, as últimas eleições municipais – um crescimento de 471%, que causa rubor em qualquer chinês (v. aqui e aqui).

Ora, o nosso Parlamento, com seus vereadores, deputados e senadores, salvo uma ou outra exceção, recheia-se de condes, viscondes, barões e marqueses, sempre pomposos e babacas,  sempre vistos enfeirados em seus "bons" ternos, enfeitados com seus "bons" vinhos e enfeitiçados com seus "bons" modos.

São os nobres do séc. XXI, que trazem das urnas o respaldo para dissimular o que trazem nos bolsos e naquele sangue com traços de azul e fel.

Não há pluralismo político-partidário que dê jeito, não há democracia que avance e nem república que funcione neste cenário construído para não dar certo.

Afora a questão nobiliárquica, nos meandros do poder a verba privada que entra numa campanha sai pela descarga, na forma de contratos, de aditivos, de repasses, de oscips ou, indiretamente, com as indicações políticas que apadrinham fulanos e cicranos para, depois de inseridos na máquina, funcionarem de modo bastante peculiar, servindo interesses umbilicais e proxenetas. 

É claro que apenas o financiamento público não vai mudar tudo, tão-pouco vai conseguir destituir grande parte do que se apresenta na política brasileira.

Porém, não há dúvida de que, ao menos na formalidade da lei, uns não serão mais iguais que outros.

 

terça-feira, 17 de março de 2015

# a família não fluida: um sólido que não se desmancha no ar

 
 
No cenário do faz-de-conta midiático – e, pois, global platinado –, parece incontornável a máxima flexibilização das relações, das uniões, dos matrimônios.
 
Nesse mundo, vasto mundo, onde tudo é efêmero e muito casamenteiro, a família ainda brevemente resiste para não se deixar fadar ao fim, ao insucesso, à vala comum das ideias e dos comportamentos descartáveis.
 
E tal modus vivendi, na esteira de tantos desafortunados garotos e garotas-propaganda, já contagia lares e casais mais desavisados e alienados, menos maduros e espiritualizados.
 
Do outro lado, não obstante os personagens e os valores em jogo, também se compreende a necessidade da grande família merecer a devida repaginação, ainda que à moda da casa, da velha casa.
 
É, sem ser contraditória, a renovação de volta para o futuro, reloaded.
 
Entretanto, ainda que nesta conjuntura, a ordem jurídico-normativa não deve permitir a fluidez permanente da “célula-mater da sociedade” – nos dizeres remotos de Rui Barbosa –, sob a pecha de se amoldar à tal dinâmica pós-moderna.
 
Com dignas exceções, no que por aí se flerta -- como em parte do Projeto de Lei nº 674/07 -- escasseiam-se verdades e sobram bolhas de sabão com temas que, embora latentes no (novo) Código Civil, são ainda muito controversas na doutrina e na jurisprudência, sendo uma temeridade catapultá-las ao ordenamento como regras do cotidiano, como regras de uma vida que ainda não é (e que nem se sabe se há de vir).
 
Amantes taciturnos, bodas relâmpagos, sexos vãos, sociedades monoafetivas, enfim, consequências possíveis que se afiguram num cúmulo de ideias, teses e vontades incapazes de, por ora, merecer o devido respaldo moral, social e jurídico.
 
Sim, compreende-se (e defende-se) a necessidade de se promover eficazmente a tutela das novas composições familiares e a dignidade da pessoa humana sexualmente irrelevante; porém, questiona-se se tal sistematização, em tais modos, efetivamente logrará melhor sorte para a coletividade e garantirá a envergadura que a consagrada instituição familiar requer.
 
Afinal, se há a necessária compreensão de que a história da família é assinalada pelas sucessivas rupturas com os acontecimentos sociais, fato é também que a mera colocação em xeque – ou, quiçá, o mero desprezo – da estruturação familiar tradicional não se sustenta por si.
 
Se por um lado o intervencionismo estatal é vital para o desenvolvimento pleno e equânime da nação, o pragmatismo de tudo se normatizar não alcança êxito nas relações civis já pautadas pela eticidade e socialidade.
 
Se por um lado o legislador brasileiro não pode fingir-se cego em relação ao que se passa na Oropa, França & Bahia e diante do que o Poder Judiciário já vem, aos poucos, reconhecendo acerca dos novos pares, por outro se exige, do próprio Parlamento, prudência e constância na valoração dos conceitos e dos princípios que regem a instituição em si, na sua forma mais singular.
 
Se por um lado rechaça-se o moralismo e o conservadorismo vadios, travestidos de onisciente, num cego ensaio daquilo que inutilmente se pretende tapar (e não tocar), por outro se deve atentar, de olhos bem abertos, para a não admissão da imoralidade e do vanguardismo tunante, desfaçando-se de moderno.
 
Assim, é neste balanço, por vezes doce, por vezes amargo, que a família caminha, como se ensimesmada numa insólita fenda temporal e incapaz de buscar nas suas origens – menos remotas, senão insustentável os dias de hoje – a sua mais concreta redenção e solidificação.
 
As relações conjugais, as relações de filiação, as relações fraternas, as relações parentais, enfim, as relações humanas consolidadas no seio familiar exigem a mais urgente reflexão, para, ato contínuo, a mais urgente prática.
 
Nesta busca, o trânsito para estas relações menos hedonistas, menos eugênicas e menos egoicas passará, certamente, pela reconstrução da ordem familiar como o mais verdadeiro lugar de amor e reverência (lar), como o mais significativo instrumento de re-humanização social.
 
Todavia, diante deste grande desafio da contemporaneidade, a garantia de êxito não perpassa pela luxúria ou gula legislativa, nem pela inveja de certos setores da sociedade civil, nem pela ira vaidosa da Igreja, nem pela preguiça judicante em estudar a fundo os casos, mas, sim, pela conscientização individual a respeito das virtudes de se formar uma família absolutamente enraizada nos eternos ideais e valores cristãos.
 
E assim, quanto menos fluida for essa presença familiar, mais sólida será a nossa sociedade, arauto fundamental para o nosso desenvolvimento cidadão, pessoal e espiritual.
 
 
 
 

segunda-feira, 16 de março de 2015

# aspas (xlviii)



Sobre o que o se viu neste domingo, apenas mais do menos.

Mas não me refiro às pautas, à (o)posição ou aos seus interesses, pois isso é do jogo -- falo, pois, da parcela que legítima e democraticamente protesta contra o PT e o governo (ou, contra as "políticas" atuais, como aqui).

Ocorre que a outra parcela da população, aquela do "golpe" ou do "impítiman" -- nas ruas menos de 3% dos votos que a direita teve no 2º turno, ainda que se acredite nas mentiras quantitativas convenientemente infladas por uma mídia abjeta --, a cada ato que promove rebaixa-se aos mais sórdidos e inimagináveis níveis, o que a torna até caricatural.

Embora, confesso, vendo na manhã de ontem aquela marcha de zumbis em verde e amarelo, lobotomizados em suas falas e trejeitos sob uma onda paralela que surge das profundezas e desemboca noutra dimensão, tenha sentido um misto de pena e paúra da nossa espécie.

O alimento desta gente? Um coquetel em que se destaca o ódio homeopaticamente dosado pela grande mídia e engolido pelo umbigo.

Fico, assim com a ideia de Joseph Pulitzer, cujo nome dá título ao maior prêmio do jornalismo mundial e que muito bem ilustra quem publica e o seu público:

"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma".




sexta-feira, 13 de março de 2015

# vermelho


 
Centrais sindicais, MST e boa parte da sociedade brasileira estarão nas ruas hoje, 13 de março, não para apoiar o Governo em suas tantas falhas.
 
Tão-pouco para se servir como piada (e golpismo) atrás de um esquizofrênico pedido de "impeachment".
 
Estaremos, sim, para uma defesa da democracia (e do resultado das eleições diretas), da soberania (e da petrobras e do pré-sal) e de políticas sociais (e de um progressista governo de esquerda).

Ou, em suma, para dizer algo bem simples, como sintetizou o presidente da CUT (v. aqui):

"Vamos às ruas no dia 13 para deixar claro que a pauta que venceu as eleições é a que tem de ser implementada. Quem quiser implementar uma pauta conservadora, que espere 2018 e tente vencer as eleições.”



 

quinta-feira, 12 de março de 2015

# e assim caminha a humanidade (xxiii)



Enquanto isso, num dos bons e sérios blogs que existem por aí, expõe-se uma reportagem do "O Globo" de hoje, sobre uma empresa que presta serviços de consultoria para o "uso" de empregadas domésticas, criando um curso para melhor domesticar as serviçais dos brancos lares (v. aqui).

Sim, é mais uma espécie deste negócio horrendo que hoje existe chamado "coaching", no caso pret-à-porter aos desejos felinos da "patroas".

Na reportagem, mais uma -- a enésima... -- amostra de ser vivo que bem tipifica o perfil daqueles que "são contra tudo isso que está aí" (v. aqui e aqui), e que, neste domingo, certamente estará nas ruas com a sua cara-de-pau e a irretocável fantasia de "brasileira":
 
-- Por que você criou este curso?
Porque eu passei um ano e meio trabalhando em casa e quase enlouqueci com as empregadas.

-- Como assim?
Senti que elas perderam a noção do limite. Teve uma que eu pedi para chegar às 7h30 e botar a mesa do café. Ela disse para mim:  ‘Eu não! Imagina se vou botar mesa de café para madame!’. Essa falta de limite foi muito lembrada também na pesquisa que fiz.
 
-- O Brasil é um do únicos países do mundo em que ainda é comum ter uma empregada doméstica sempre por perto para te servir, que dorme num quartinho dos fundos…
Sim, tenho uma amiga que mora fora e fica chocada com isso. Mas é muito cultural, né? As condições no Brasil não favorecem a vida sem as empregadas, no exterior você vê mil eletrodomésticos que facilitam a vida, comidas pré-prontas. Aqui não tem muito isso. 
 
-- Quais as falhas mais comuns citadas na pesquisa?
Alguns exemplos: empregada que pendura o pano de prato no ombro; a que fala muito ao celular e depois diz que não deu tempo de passar toda a roupa; a que se recusa a usar touca e uniforme; e as que ficam falando das tragédias do bairro onde moram. Muitas têm vergonha de usar uniforme de doméstica na rua. Eu não entendo isso. É um símbolo de status. As empregadas de novela usam. A roupa mostra que ela tem um emprego bacana, que a patroa se preocupa com o seu visual.
 
 E, como aqui, esta gente ainda quer se levar a sério...



 

quarta-feira, 11 de março de 2015

# vaga-lume



(...)

- Mas e por que a mídia, então, não fala toda a verdade?

- Porque não lhe é conveniente, por se tratar de uma mídia corporativa, uma mídia comercial, uma empresa que visa aos seus interesses e, claro, ao lucro. 

- Como assim?

- Esta mídia que a senhora vê aí, neste canal e nos outros, neste e nos outros jornais da tv, faz tudo por dinheiro, com fins mercantis, de negócios e, principalmente, faz tudo pelo poder (v. aqui e aqui).

- Ah... é tipo uma loja de shopping? 

- Exato, vendem notícias (e fatos) como o Burger King vende sanduíche.

- Entendi. Mas estranho... e eles podem fazer isso?

- Não, mas fazem.

- Não entendi.

- A tv é uma concessão pública, e por isso tem regras de uso, de transmissão, de conteúdo etc. O problema é que as concessões de rádio e tv sempre funcionaram no Brasil como meros "mimos políticos"... Além disso, quase nunca ninguém ousa enfrentar estes grandes grupos de comunicação  – que são verdadeiros "latifúndios eletromagnéticos" , grupos que tem braços em rádios, jornais, revistas... e que podem destruir qualquer um a qualquer momento. (v. aqui)

- Hum...

- Tem gente que enfrenta isso... basta lembrar do Brizola, o maior de todos os inimigos da Globo, e, lá fora, do Chávez, dos Kirschner... E, claro, do Requião, que no governo dele zerou os gastos em propaganda e publicidade nas tvs comerciais, na CBN, na Gazeta... e era diariamente massacrado por todos os veículos de comunicação do Paraná, que deixavam todo ano de embolsar milhões e milhões de reais. E foi por isso que ele investiu na "TV Educativa", uma tv pública, um órgão oficial do Estado e cujo interesse público pautava as notícias, as reportagens e os programas . O problema é que era tudo muito chato, em regra mal feito, e por isso ninguém assistia... e por isso ninguém sabia do que se fazia no Paraná, nas mudanças todas e nas inúmeras políticas públicas que se promoviam e que mudavam a vida dos paranaenses (v. aquiaqui).

- Como assim "gastos em propaganda"?

- Pois é, o governo federal, para piorar, insiste não apenas em deixar como está  sendo incapaz de avançar no projeto de regulação da mídia , como coloca cada vez mais dinheiro em propaganda nestes canais...

- Como pode... masoquismo isso! Paga para alguém falar mal!

- É... mas o problema nem tanto é falar mal ou bem, pois este é o "jogo", mas sim falar as verdades pela metade, o que tangencia a "mentira", só revelando a parte que interessa, e também falar sobre os fatos convenientemente selecionados, à la carte, como se o Brasil ficasse escondido por debaixo da programação das tvs. Mas isso está a mudar... (v. aqui)

- Será? Por quê?

- Não só pelo fato de que o Brasil está, mesmo com todos os seus erros e percalços, melhor para todos. É porque a internet está aí e está mudando tudo. O mundo dos fatos está disponível "on line", escancarado, sem intermediários historicamente privilegiados por regerem a pauta e a verdade... Qualquer um hoje é e pode ser um noticiante, um veículo.

- Ah, mas a tv ainda é a tv...

- Claro. O poder dela ainda é enorme, e por isso a necessidade urgente de se regular a mídia, de implementar tvs públicas de qualidade e de se reduzir a mamata da gigante verba publicitária entregue aos grandes grupos. Sem isso o interesse público continuará refém da vontade e do desejo financeiro destes grupos... (v. aqui e aqui)

- Claro, claro... é tudo tão claro isso meu filho...




# aspas (xlvii)


 
O mal dos males da nossa política é o "financiamento privado" das campanhas eleitorais.

Isso precisa, urgentemente, acabar, ser enterrado, de modo que se possa realizar uma ideia mínima de democracia.

O Senador Roberto Requião apresentou um Projeto de Lei para pôr um fim nisso (v. aqui).

Não seria difícil imaginar que a ideia está trancada há muito tempo -- muito menos, porém, que o projeto de lei para colocar em prática o "imposto sobre grandes fortunas" já previsto constitucionalmente (v. aqui).

E eis, agora, que a vontade de enfim sepultar as doações de empresas -- que ao cabo exigem as clássicas "recompensas --, ganhou um grande aliado.

Ele, o Papa Francisco -- o papa mais politizado da história --, que acaba de enfatizar a gravidade deste história toda, que consolida a Política como um mero balcão de interesses privados, tornando as eleições mera fachadas de fins pré-negociados e historicamente sacramentados.

Abaixo, trecho da sua última entrevista (v. aqui, na íntegra):

 "¿Hay algo que quiera sugerirle a los gobernantes argentinos en un año de elecciones?
 Primero... (...) Segundo, (...) Y tercero es una de las cosas que tenemos que lograr, ojalá la podamos lograr – una campaña electoral de tipo gratuito, no financiada. Porque en las financiaciones de las campañas electorales entran muchos intereses que después te pasan factura. Entonces, hay que ser independientes de cualquiera que me pueda financiar una campaña electoral. Es un ideal, evidentemente, porque siempre hace falta dinero para los afiches, para la televisión. Pero en todo caso que la financiación sea pública. De este modo yo, ciudadano, sé que financio a este candidato con esta determinada cantidad de dinero. Que sea todo transparente y limpio".



 

domingo, 8 de março de 2015

# retratos molhados

 
 
Acostumado ao turbilhão de lá, não desabito do meu calmo e bom retiro.
 
Quando venho, já esmaga a dor da saudade do rio.
 
Quando vou, jazo como um velho pinheiro dolorido.
 
Ah, me dera cá e lá viver duplicado, e não numa presença dividida.

Sob um novo atributo da física, estar nos dois lugares ao mesmo tempo.

Ou fundi-los numa mais-que-perfeita ordem espacial.
 
Queria trazer o sol de julho pra cá, e levar pra lá as noites mais suaves de janeiro.
 
Trazer a brasilidade e levar a pontualidade, trazer o histórico e levar o bucólico, trazer um centro do mundo e levar o meu centro para o mundo.
 
O chopp ao mar e a onça do bar.
 
Mas o que mesmo queria era de novo ter junto toda a minha gente.
 
A mesma que nas antigas fotos agora revistas sempre parecia nunca se desgrudar.
 
Ora, nestas fotografias, como disse Tom, estamos sempre tão felizes...
 
Tira-se, daqueles momentos, tudo o que se vivia e todas as expectativas do que se tinha pra viver.
 
Dentre elas, a mais inocente era tentar prever o futuro e garantir a alegoria do poeta máximo curitibano: "pinheiro não se transplanta".
 
E por isso os frutos seriam sincronicamente colhidos e os galhos seriam diariamente podados.

Apertados no cotidiano, sem as interrupções de espaço e tempo, os laços das nossas relações jamais flertariam com o frouxo desenlace.
 
Entretanto, diante das pororocas da vida, hoje ainda estamos felizes, mas infelizmente longe.
 
E os amigos que se perdem pelas estradas, os familiares que se vão pelo destino e a parte da Casa que se copacabaniza ou que vira noiva do cowboy pra falar inglês não desmitificam -- e só qualificam -- o poder da saudade.
 
Por isso, neste ponto, lá e cá parecem estar em eras distintas.
 
E a cada avião que pego parece uma volta num tempo que jamais recuperarei.
 
 
 
 

quarta-feira, 4 de março de 2015

# defumado



Sou o nada.

Soa triste
se não sonhasse
diferente de tudo
o que não sou.

Sobra da xepa
que resta da feira,
só me desbasto.

Sobram-me sisos,
faltam-me risos
na segunda assada
de cada dia.

Não gargalho,
e no meu galho
sofro e golfo
o cotidiano acre
que não trago.

Tranco-me
na gaveta abafada
da pasteurizada voz alheia.

Ensurdo-me
na retórica bovina babada
da cegueira vizinha.

Lá e cá
calo incerto
das pegadas que faço
ao meu presépio.

E nada vejo.
 
A minha estrela
é um buraco negro.

Decadente,
sou guiado para dentro do meu labirinto.




# ventríloquo

Não uso sapatos.
São eles quem me usam
e me levam ao seu destino.
Mas os calos são meus.
Não uso a cabeça.
Quem me usa é ela,
dirigindo-me sob suas idiossincrasias.
Mas a vertigem é minha.
Não uso as mãos.
Elas são quem me usam
e me escrevem no seu bale linguístico.
Mas as bolhas são minhas.
Não uso fraldas,
não uso poncho
e não uso esquadros.
No meu viver
o compasso não me pertence.

# encaixotado

 
 
Não caibo
no meu desgosto
que sabe a fel.
 
Desabo
no meu agosto
em que chove sal.
 
Não trago
no meu posto
o que chamam sol.
 
Enfado
no meu encosto
que afunda a nau.
 
Não agrado
meu rosto
que queima em cal.
 
Atônito,
monossílabo-me.
 
 
 

# náufrago

 
 
Atiro-me pedras
porque teimo tanto errar.
 
Engulo-as.
 
E na rede do meu luar
as vomito
com os sapos
que também não cansam de me judiar.
 
Agora concentrado
nesta verve velha
vejo as válvulas
já vacilarem
num comovente descanso.
 
E a dinâmica
do espantalho inveja-me
em face ao corcovado
que me prende
ao tapete borrado desta sala
amarrado alado aos ácaros
que me sufocam
na eterna meia-noite
de uma rotina em vão.
 
Eis
que por detrás
daquela janela
do alto
deste arranha-céu
flerto
com o cheiro da liberdade
que não tenho.
 
Asas fritas em óleo ranço,
apenas roo o osso
ao sebo das minhas sobras.
 
E num balde gasto
guardo a carcaça fria
para o mesmo dia de amanhã.



terça-feira, 3 de março de 2015

# metafísica do recibo



Tenho a mais fundada e lógica crença na justiça divina, na justiça pós-morte, na justiça do além. 

Sim, pois qual seria o mérito e sentido desta vida, num ter e acumular incansável, senão num contraponto do ser e partilhar e pelos quais ao cabo seremos avaliado, julgados e absolvidos?

Distante da justiça de carne e osso tão mitigada pelos tribunais e, principalmente, pelos homens em geral, quero crer que no além toda essa zorra que se espraia em terra firme há de ser balanceada e recompensada.

O "princípio da capacidade contributiva" no direito fiscal, a "teoria da vulnerabilidade" no penal,  a "função social da propriedade" no civil e a "dignidade da pessoa humana" na seara constitucional são insistentemente relativizados, ignorados e aplicados de acordo com os interesses político-econômicos de um Estado que, nas suas entranhas, insiste em perpetrar o recrudescimento do status quo social e a mantença dos ideais conservadores e patrimonialistas que aprazam os "donos do poder", regentes desta nação com a força e o cajado do mercado.

Assim, conflitos armados, parecemo-nos confiantes demais no que entenderá e decidirá um juiz qualquer, no seu papel de "direito feito homem", para nos esquecer que não basta, por quaisquer que sejam os artifícios logrados para se obter êxito na decisão judicial, sermos artificialmente inocentados nas bandas daqui.

Sinceramente, será que o homem público, o homem privado ou qualquer homem tem a exata noção deste seu compromisso não apenas com a lei positiva, mas com as leis humanas, fundamentais para a sua passagem à vida eterna? Será que o agente estatal e os agentes privados se esquecem que as recompensas que trazem hoje serão cobradas num breve acerto de contas? Será que acreditam que a dinheirama ganha em todas as ilícitas (ou imorais) atividades  invariavelmente reproduzida em Disneys, carros, barcos e cofres  sairá de graça? Será que esta dinâmica iguala-se à recompensa de alguém que não danou ninguém, não meteu, direta ou indiretamente, a mão no erário e não se escondeu da vida real?

Até que ponto este mundo permitirá encontrar justiça terrena na violência do contraste entre fortuna e miséria?

Até que ponto permitiremos entender justo o conflito entre o milagre da abundância e a tragédia da fome?

Até que ponto ignoraremos o fato de a exaltação do ter e a volúpia do mostrar despertarem um sentimento de impotente desumanização em quem exalta o nada e se evola?

Até que ponto a moral e a justiça social serão derrocadas pela (in)justiça das leis e o poder econômico?

Até que advenha um Estado que, numa revolução cada vez mais utópica, puna todos, um por um, trancafiando em masmorras solitárias quem contrarie o interesse público, que desvie dos cofres públicos e que leve para si a receita de todos?

Não, não.

Desestimulo-me e, na verdade, penso que este ponto será atingido, talvez, só nos nossos respectivos leitos de morte, com um transcendental e latente temor da justiça divina, que já então ela não mais tardará e certamente não falhará.

Porém, enquanto isso, se achar que a troca compensa, tudo bem... roube, corrompa, sonegue, explore, esbanje e acumule à vontade.

Mas, lembre-se, é sempre tempo de perdão, de mea maxima culpa, de breaking good.

Afinal, creia ou não em Deus, uma hora a conta vem e isso tudo há de ser cobrado.



segunda-feira, 2 de março de 2015

# sangue azul



A monarquia é um dos regimes mais toscos já inventados pelo homem.

Hoje, séc. XXI, onde ainda há é uma caricatura, uma piada.

Pior ainda é onde desde 1889 não existe, mas que mesmo assim continua a produzir seres que se acham legítimos herdeiros de um trono imperial.

E o Poder Executivo da Cidade de Curitiba, finalmente, parece querer enfrentar uma parte desta turma que se julga de sangue azul, aquela responsável pela máfia do transporte público municipal (v. aqui).

Com as manifestações de junho de 2013, cujo preâmbulo foi o péssimo e caro transporte público, à época dissemos que era preciso pôr a nu os barões que comandam o negócio (v. aqui).

Claro, pois, que no âmbito da minha aldeia falava da turma dos Gulin, embora a coisa se familiarize Brasil adentro -- no Rio, por exemplo, com o famigerada famiglia Barata (Grupo Guanabara) acontece a mesma coisa, v. aqui.

Há quarenta anos mandando nisso, esta gente curitibana sangra os cofres públicos na certeza de que, ungidos pela graça divina, nada lhes pode (e nem deve) acontecer.

E mais, convictos de que são detentores de uma espécie de honra nobiliárquica, tratam o serviço público de transportes como se fosse propriedade real deles.

E para isso mentem, escondem, versam, tergiversam, dissimulam, maquiam, tudo para não largar o osso que, por ordem dos deuses, deve ser deles.

Os rabos deste bando, vê-se, se espraiam por todos os pontos e terminais de ônibus da Cidade, criando ninhos cujos filhotes engolem, com apetite sem igual, o interesse público e os pobres usuários.

Ademais, suas garras daninhas, não contentes em ficar só com as presas das redondezas, hoje já alcançam esquemas no interior do Paraná e, até, no Distrito Federal (v. aquiaqui).

Empresas de fachada, negócios de araque, pseudorregras, ligações esquisitas e contas incontabilizáveis para, ao cabo, poder cada vez mais sugar o erário e os utentes.

E tudo isso sem que nunca e ninguém tenha feito nada de concreto para vigiar e punir.

Vejam só, não se está a falar de "capitalismo", mas de um serviço concedido pelo Estado e que não precisaria se submeter às artimanhas do sistema mercantil.

Pois, no cerne da coisa, soçobram licitações pra inglês ver, com editais mal escritos e pouco pensados -- muito apropriados à cartelização engendrada pela famiglia -- e que jamais foram capazes de mudar a ordem e a lógica do jogo.

Enfim, não dá mais para admitir que esta aristocracia fajuta de Curitiba, sob a máscara do bom-mocismo e da eficiência setorial, continue a lesar e a lucrar tanto às custas do dinheiro público e do vale-transporte do cidadão.

Que a Prefeitura, o Parlamento, o Ministério Público, a Polícia, o Xerife, o Bispo, os anjos, os vampiros, as polaquinhas e todos os cavaleiros errantes desta Cidade consigam, enfim, acabar com esta sinecura que há tantas décadas sustenta uma família.

A verdadeira sociedade curitibana agradece.

Para desgosto daquela que vive a posar de bacana pelas enfadonhas colunas sociais da city, querendo fingir honra, mérito e, claro, realeza.