domingo, 6 de junho de 2010

# e assim caminha a humanidade (xix)


Enquanto isso, neste domingo, durante um festivo casamento, dentre tantos familiares que revejo, eis que vem a mim um da velha guarda, parente colateral de primos de 2º grau e herdeiro por tabela de antigo dono de grande empreiteira nativa.

Vendo aquele sósia de Cid Moreira se aproximar, peço ao garçom outro uísque cuja dose, de pronto, já bebo pela metade.

E ele chega. E sabendo da minha atuação profissional -- por recentes reuniões em sede estatal a envolver os seus pares --, inicia a pauta, com aquela voz de "Mister M":

- "E agooora, meu caro? Precisamos mesmo mudar aquele decreto, não há condições técnicas para o mercado, a construção civil pesada necessita... e blá-blá-blá-blá...".

- "Pois é.", digo eu, pouco empolgado e dando outro grande gole do destilado escocês. "Mas há controvérsias...", emendo provocativamente.

- "Que nada!!!", começa a se exaltar. "Aquele Roberto Requião (e, como se deixasse de ser Cid para ser locutor de turfe, passa a disparar adjetivos muito pouco cordiais ao ex-Governador do Estado)".

- "Há controvérsias...", interrompo-o novamente, já esvaziando o meu copo.

- "Pare! Pare! Este Requião acabou com a vida do meu cunhado! Hoje você digita o nome dele [do cunhado] no Google e aparece milhares de respostas que o mostra envolvido com prisão, com formação de quadrilha, com fraude a licitação, com máfia das empreiteiras, que ele isso, que ele aquilo etc.! Eu quero que ele (e mostra-se muito criativo ao bradar nada louváveis desejos) e que ele vá (e não poupa lugares pouco nobres de destino)".

E depois de longos minutos de intransigente defesa das peripécias empreiteiras do cunhado e cia, o nosso Cid já percebe que eu não estava mais ali. Sim, no meio da história eu já havia saído para repor o meu uísque. Meus ouvidos o desejavam, eles queriam um anestésico. E eu, um tempo.

Caro leitor, cara leitora, vai evento, vem evento, e vocês percebem que as ideias e o caminhar dessa turma são sempre os mesmos, mais ou menos insólitos.

Em suma, a ira do nosso Cid centrava-se no fato de, há algum tempo, o ex-Governador do Estado, Roberto Requião, ter acionado a Polícia do Paraná -- e, por sua vez, o Ministério Público e, logo, o Poder Judiciário -- para investigar (e prender, como foi o caso) várias pessoas que comandavam um grande e sólido esquema de cartel, fraude e superfaturamento nas licitações públicas de obras.
Como há séculos tal prática -- que tanto enriqueceu meia-dúzia de famiglias paranaenses -- nunca mereceu a mais firme e intransigente reprimenda estatal, a notícia "desagradou" muita gente.

Dentre eles o nosso Cid, que parece ter ficado desapontado com o desmantelamento das quadrilhas e suas empreiteiras -- ao menos algumas delas, cujas provas processuais assim permitiram -- e ter achado injusto prender cautelarmente algumas das pessoas -- dentre elas o seu cunhado (v. aqui) -- que agiram contra a lei, contra a moral e contra o nosso dinheiro.

Mas que ele não perca por esperar. Afinal, se realmente vingar este novo Brasil, as novas gerações ainda têm muito a pagar pelos crimes & pecados dos seus culpados antecedentes.

E, no final das contas, juro que eté pensei em voltar para terminar aquela conversa.

Sim, iria sugerir ao Cid que consultasse o seu "príncipe negro da magia" para que explicasse para nós como destruir da face da Terra todas as informações armazenadas pelo Google ou, talvez, como construir uma "bingueira" da felicidade invisível, infalível a quaisquer investigações policiais. Ah esse Mister M...