sexta-feira, 29 de maio de 2009

# à sombra da mangueira imortal: quarta vela


fdsfdsÉ sob a mangueira, diz-se, que se consegue a melhor sombra.
fdsfdsAssim, à sombra da mangueira imortal, pretende-se expor idéias, ideais, divagações, utopias e devaneios, na expectativa de ter e debater, numa rede de milhares de amigos e num universo de bilhões de pessoas, o eco de tantos pensamentos e escritos.fdsfdsAntes de tudo, é uma proposta contributiva para pensar a sociedade e o país nos quais nos inserimos, para, de "ojos abiertos" (e não cegos) -- porque quer enxergar além da visão cabresta, elitista, conservadora e reacionária da maioria daquelas vazias e neutras posições que apenas refletem o discurso midiático mantido pelos donos do poder ou o desejo recôndito na perpetuação do status quo injusto e desigual -- e "coração valente" -- já que imiscuir-se-á sem dó nas feridas abertas e mantidas em sangue pela elite nativa --, mostrar que não desertamos do nosso posto, pretendendo ser uma direta e (i)modesta bula da bola azul que nos envolve e na qual vivemos.
fdsfds
fdsfdsHá exatos quatro anos, com este texto, criávamos este sideral espaço virtual (v. aqui).
fdsfdsCom propósito certo mas rumo indefinido, dispor-nos-íamos a dedicar alguns minutos das nossas madrugadas -- e, atualmente, já de horários mais incertos -- para colocar na tela e jogar nesta incógnita rede mundial as nossas idéias e os nossos ideais sobre o cotidiano da vida, da política, da economia (e de outras ciências sociais), das artes e do futebol, afinal nascemos como a bula da bola e hoje já multiplicamos e expandimos o nosso aviamento, achando-nos receituários de uma panaceia, de um chá de bruxa para a interpretação dos fatos&fotos que movem a nossa sociedade na bola (ou na bolha) que nos inserimos chamada Terra.
fdsfdsA modéstia não nos deixava acreditar que pudéssemos chegar a tantas pessoas, e, principalmente, que pudéssemos materializar o esperado eco.
fdsfdsMas, regozija-nos, até deu certo.
fdsfdsE, hoje, à sombra da mangueira imortal, conseguimos que os nossos (crus e rasteiros) textos sejam acessados por quase mil internet protocols (IPs) por semana -- conforme último demonstrativo de contagem automática de acessos -- e repercutidos nos diversos emails que diariamente recebemos para criticar, discutir, ensinar, questionar, congratular, zombar, aprender ou blasfemar com o que escrevemos.
fdsfdsE isso nos agrada bastante, pois percebemos que tão-somente com um debate extenso, profundo e às claras, sem a interferência rançosa de uma mídia golpista, sem as amarras de uma herança sócio-cultural conservadora (e reacionária) e com o desprendimento espiritual e material das coisas pequeno-burguesas, conseguiremos evoluir como pessoas e como sociedade, em especial num país tão carente de desenvolvimento e de justiça econômica e social (e penal) como o Brasil.
fdsfdsGostaríamos de ser mais frequentes e mais atualizados, mas o dia de 24 horas ainda nos parece curto -- e, por isso, ainda que por vezes pareçamos sumidos, tenham a certeza de que lá estamos, como disse Érico Veríssimo, fazendo luz sobre a nossa realidade, seja acendendo as lâmpadas, os nossos tocos de vela ou, repetidamente, riscando fósforos, como sinal de que não desertamos do nosso posto, a evitar que sobre o nosso mundo perpetue-se a escuridão, propicia para as atrocidades e as injustiças.
fdsfdsEnfim, agradecemos o interesse, a participação e a repercussão promovida por todos, que contribuem para que a bula da bola seja cada vez mais curativa e terapêutica.
fdsfdsE, como não poderia deixar de ser, agradeço também a paciência de todos, especialmente daqueles cujo viés clubístico distancia-se do nosso -- neste ponto, talvez único, confessamos que esta bula se parece mais com receita de curandeiro.
fds

 

quinta-feira, 28 de maio de 2009

# erratas

Momento de mea culpa. Duas.
A primeira trazida pelo grande amigo luso-moçambicano Fernando -- cuja família mora na aprazível Peniche, cidade do litoral português onde já passamos um farto almoço de Páscoa --, ao advertir-me para a (gravíssima e imperdoável) falha técnica que cometemos na última coluna.
O crasso erro, sob todos os pontos de vista, confesso não ter sido por ignorãncia, mas (talvez) por um vácuo cerebral. Assim, antes que alguém do "Pátria Basca e Liberdade" (E.T.A.) pretenda cometer qualquer ato terrorista nas bandas de cá, achei por bem violar o sistema blogspot e já corrigir o verdadeiro impropério, já que o Barça, ora pois, é um clube catalão.
A segunda, (re)motivada por (outro) email contestador recebido hoje, é sobre a autoria da frase "qual é o maior crime: roubar um banco ou montar um?", a qual atribuímos ao grande estadista russo Lenin -- e que já deveria ter sido comentada lá atrás, quando publicamos a coluna "Seiva de Tamarisco" (v. aqui) e recebemos múltiplas missivas cibernéticas questionando-a.
Nestes, mostraram-me e doravante acredito que a certeira frase seja mesmo do dramaturgo alemão Bertoldt Brecht.
Ela faz parte da peça "A Ópera dos Três Vinténs" ("Die Dreigroschenoper") -- aquela que foi adaptada pelo Chico Buarque na "Ópera do Malandro" -- e traz pergunta, na cena 9, em um alemão fielmente traduzido por um amigo: "O que é um roubo de um banco diante da fundação de um banco?" ("Was ist ein Einbruch in eine Bank gegen die Gründung einer Bank?")
Assim, embora muitos atribuam-na a Vladimir Iljitsch Lenin, acho mesmo que não. Tudo bem que o pensador russo veio um pouco antes da peça de Brecht, mas nada se encontra na biografia dele sobre essa frase.
E como a peça na qual Brecht se baseou (The Beggar's Opera, de John Gay, do séc. XVIII) nada traz sobre a frase, acho mesmo que ela tenha partido da cabeça do gênio alemão, talvez contagiado pelos pulsantes ideais socialistas da época e que inclusive fizeram-no se transformar num importante marxista.
fds

# vieram, viram e venceram


fdsCoincidência ou não, ambos os times campeões dos dois grandes torneios europeus jogam um belíssimo futebol: bem pensado, bem armado, bem tocado, categórico, imperial, pra frente e envolvente. Um primor.
fdsA jogar com 4 zagueiros, 1 volante e 5 hábeis armadores&avantes, medusicamente envolveram os times adversários que, em regra, não conseguiram mostrar reação. E assim, com um futebol vistoso e virtuoso, ambos vieram, viram e venceram.
fdsO Shakhtar, da Ucrânia, joga do meio pra frente como jogava, guardadas as devidas proporções, aquelas famosas linhas de 5 jogadores dos anos 50/60 -- quem não lembra de Durval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe?? Assim, com Ilsinho, Fernandinho, Luis Adriano, Jadson e William -- isso mesmo, são cinco brasileiros (!) --, o escrete ucraniano atua pressionando o adversário, com toques rápidos, frequentes e certeiros, até chegar, eficaz e invariavelmente, à meta adversária -- no jogo final, v.g., o quinteto finalizou espantosas 18 vezes contra o gol alemão.
fdsO Barcelona, um pouco diferente, não atua com essa linha de cinco, mas se dá ao luxo de ter a melhor dupla de jogadores do mundo da atualidade, os armadores Iniesta e Xavi, os quais abastecem eficaz e incessantemente a dupla de avantes Eto'o e Henry e libera o ponta-de-lança Messi para fazer&desfazer o que bem entender em campo, como assim se deve permitir para um craque como ele. O resultado: a supremacia da equipe catalã em todos os campeonatos que disputou na temporada.
fdsEm suma, por todo o mundo a tendência parecer mesmo ser essa, com os times e seleções a jogar com grandes armadores, ponta-de-lança, centroavante e ponta(s) muito bem distribuídos, sepultando a perseverante idéia de se jogar com dois ou três brucutus no meio-campo e um centroavante enfiado, como serelepe ou boneco de posto de gasolina.
fdsOra, o meio-campo é o lugar de se pensar-agir-matar o jogo, é onde as coisas devem ser&acontecer, é o habitat natural de pensadores, hábeis e craques. Volante? Um, fundamental, e ponto. Ademais, sacrificar os laterais um jogo todo, em idas-e-vindas infindáveis e infinitas entre ataque&defesa, é uma grande estupidez tática, uma atrocidade física e um desperdício técnico. A César o que é de César, e aos laterais o que é dos laterais.
fdsSeja no esquema destes clubes europeus ou seja no revolucionário 4-1-4-1 da Espanha, o negócio é que 3-5-2 ou 4-4-2 já tiveram os seus dias de glória e hoje já merecem ser sepultados. Aleluia, aleluia!
fdsEntre poucos, falta o Brasil (e alguns clubes nacionais) também querer enxergar isso.
fds

domingo, 24 de maio de 2009

# atleticanas (xiv)

Ninguém honesto consegue explicar o que Geninho quis fazer no segundo tempo do jogo de hoje.
Lá pelas tantas, com o placar ainda a mostrar 2x2, havia 4 zagueiros, um cabeça-de-área, o inócuo Gabriel Pimba improvisado na ala-esquerda e dois centroavantes. Já sem técnica, o amontoado apresentava-se sem o mínimo de organização e posicionamento táticos, tudo e todos a depender de Wallyson e Raul, já estafados, pela ala direita. Enfim, um monte de peças quebradas sem a mínima chance de conseguir formar um time, um time que pense, com cabeça, tronco e membros.
Sim, continuamos sem entender a razão da besta do Geninho continuar a barrar Julio dos Santos, o único jogador do elenco capaz de, no meio-campo, pensar o jogo, vez que Marcinho, além de já mostrar que não é armador -- e sim ponta-de-lança -- prova a cada dia que vai mal.
Há tempos se pede -- e se comprova -- que o Atlético não tem dois jogadores fundamentais para querer jogar num 3-5-2 (um segundo-volante e um que seja ponta-de-lança e armador ao mesmo tempo); logo, pelo elenco de jogadores que tem, o melhor esquema é um tradicional e óbvio (e melancólico) 4-4-2, com Valencia, Julio, Marcinho e um Sr. X, como volante, no meio.
Do jeito que está, as vergonhas serão sucessivas. E não se culpe Galatto, como parte da imprensa quer, afinal, ainda que não se queira admitir que um goleiro pode errar -- como qualquer outro, jogador ou humano --, por que também não se impõe a culpa pela(s) derrota(s) às sucessivas falhas do miola da zaga ou à nula criação do time no jogo todo (lembre-se que os 2 gols da derrota de hoje foram frutos de grosseiras falhas da defesa do Náutico...)? Por que a imprensa não culpa Geninho, pelas barbaridades que tem fez? Por que a imprensa esquece tão rapidamente das tantas e tantas milagrosas e imporantes defesas que o goleiro fez nesta e noutras temporadas? Galatto tem crédito e merece continuar na titularidade -- até mesmo porque não há nenhum Yashin no banco rubro-negro...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

# o petróleo é nosso, e a petrobras imprescindível

A vexatória e repugnante CPI que demos (PFL-DEM) e tucanos (PSDB) insistem em levar adiante é outro marco da visão colonial, entreguista e privatista que a elite nacional tem do nosso país. Ou mais uma espectro do modo eleitoreiro de se discutir os assuntos público e nacionais.

O Brasil prepara-se para assumir o posto de uma das maiores potências petrolíferas mundiais, o que causa brotoejas naqueles que não admitem uma nação rica e uma país de e para todos, que não veem a hora de José Serra ser o presidente e colocar em prática a (dantes) fracassada idéia da "Petrobrax" de FHC. Sim, os conservadores e a direita querem vender a nossa "Amazônia Azul".

Ao invés de quererem discutir frivolidades como as que ocupam destaque na golpita imprensa nacional -- a qual quer, a todo custo, criar no subconsciente da população uma Petrobras ineficiente, incapaz e imoral -- e insistir que o Estado brasileiro não pode gerir os seus maiores e mais estratégicos recursos naturais, o Parlamento brasileiro, se sério em sua maioria, deveria se ocupar de questões essenciais para o nosso futuro como uma desenvolvida nação: como explorar o pré-sal? Onde investir o dinheiro? Como o Brasil pode controlar a sua costa e projetar seu poder na América Latina e no Atlântico Sul? Quais as prioridades que um planejamento de políticas públicas eficazes, de longo prazo, a serem construídas com o ouro negro, merecem?

Inevitalmente, tudo antes exige uma refundação da nossa República, no modo dos nossos homens públicos entenderem o seu papel e a sua atuação na sociedade, afinal, o que se pode esperar da nossa burguesia, de mãos atadas pela incessante busca do sucesso pessoal ou livres das imprescindíveis e (pouco) elásticas algemas estatais, as quais deveriam controlar a mão invisível do mercado e a mão gatuna dos criminosos?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

# elementar e estratégica estatização


fds Poucos dias após a estatização de parte do setor de serviços petrolíferos, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou, nesta quinta-feira, a nacionalização de cinco empresas do setor siderúrgico e da maior produtora de cerâmica do país, a Carabobo.
fds O fim: avançar na construção de novo complexo industrial nacional.
fds Com a decisão, as empresas Matesi, Comsigua, Venprecar, Orinoco Irons e Tubos Tavsa devem passar ao controle do Estado nos próximos dias.
fds De acordo com representantes dos sindicatos dessas empresas, há pelo menos seis meses os salários dos funcionários estão atrasados e a produção, praticamente paralisada, razão pela qual teriam pedido a intervenção do Estado.
fds Com essas nacionalizações, somadas à expropriação de 73 companhias prestadoras de serviços petrolíferos, no início do mês, o Estado venezuelano assume o controle de quase todos os setores da economia considerados estratégicos.
fds Desde 2007, foram nacionalizadas as companhias de telecomunicações e de eletricidade, a faixa petrolífera do rio Orinoco e três empresas de cimento.
fds Nos próximos dias, ainda, poderá ser concretizada a estatização de uma das maiores instituições financeiras do país, o Banco da Venezuela, que pertence ao grupo espanhol Santander. (v. aqui)
fds Enfim, soluções eficientes, estratégicas e fundamentais para se colocar ordem no caos do capitalismo monopolista e neoliberal que quer se perpetuar na selvageria das economias nacionais.


terça-feira, 19 de maio de 2009

# aspas (xvi)


 
O jornalista Luiz Carlos Azenha, do seu especial espaço virtual "Vi o Mundo" (v. aqui), resume boa parte dos interesses dos donos do poder que nos assolam, entre idas-e-vindas, há 500 anos, e que mostra a fome da nossa direita e da nossa conservadora sociedade:
 
   Ninguém é "de direita" no Brasil. Ninguém assume ser de direita. Mas ela existe, se esconde sob diversos disfarces e representa uma aliança entre grandes interesses econômicos internacionais e grandes interesses econômicos nacionais subordinados àqueles. O tal pacto de elites. Elas fazem concessões pontuais para preservar o essencial: o controle da terra, do subsolo e dos recursos naturais. Quantos bilhões de dólares vale o pré-sal? Quantos bilhões de dólares valem os minérios no subsolo brasileiro? A direita, que nunca chegou a perder o controle da riqueza, vem aí faminta por privatizar cada centavo desses bens públicos, para tomar de volta mesmo as migalhas que Lula distribuiu.
   O presidente Lula não representou um rompimento com isso. Ele costurou alianças em direção ao centro para garantir a "governabilidade". Hoje o agronegócio manda na agricultura e no meio ambiente, os banqueiros controlam o Banco Central e os recursos naturais do Brasil estão entregues a interesses privados -- da Vale do Rio Doce aos parceiros estrangeiros da Petrobras.
   Num quadro de escassez, expresso na crise econômica internacional, a disputa pelo controle dos recursos -- e de como gastá-los -- deve se acirrar em todo o mundo. No Brasil não é diferente. Essa disputa passa pelas eleições de 2010.
   Lula, no poder, se comportou como um sindicalista pragmático. Preferiu os acordos de bastidores às ruas. Não trabalhou para estimular, organizar ou vitaminar movimentos políticos de sustentação às propostas de seu governo. Não trabalhou para aprofundar a democracia, isto é, para engajar politicamente os que ascenderam economicamente graças às políticas sociais de seu governo.
   Em entrevista à "Carta Capital", Dilma Rousseff disse: "A eleição do Lula, do Evo, da Michelle, da Cristina, do Hugo Chávez, marcam um processo de democratização muito comprometido com os povos dos paises nos quais ocorre".
   A diferença é que, no Brasil, o "processo de democratização" foi superficial, não-orgânico e, hoje, depende da sobrevivência política do símbolo dele, Lula. Diante do quadro que descrevi, fiquem de olho: devem aumentar os pedidos para um terceiro mandato ou para que o presidente saia de vice na chapa de Dilma Rousseff.



 

sábado, 16 de maio de 2009

# filósofo do samba


fdsfApós (injustificáveis) quase dois anos, finalmente assisti ao filme "Noel, o Poeta da Paixão". E achei ótimo -- muito diferente, já se diga, do (injustificavelmente) sonso filme "Vinícius"... --, digno daqueles que conseguem, ainda que minimamente, reproduzir para a arte do cinema a arte de um dos maiores gênios da música mundial, morto aos 26 anos e com uma obra plural e eterna.
fdsfNão apenas a vida do Noel -- que por si só já comportaria uma minissérie --, o filme consegue pinçar tudo o que girava em torno do Noel naquele Rio de Janeiro dos anos 30.
fdsfSim, cenas da constante (e inigualável) boemia carioca, cenas dos cabarés&zonas -- que tinham ar e cheiro das Óperas de Viena -- e cenas bucólicas dos morros e das praias, tudo envolto ao medúsico, hipnótico&contagiante ritmo (e letra, e melodia) da maior e melhor música já inventada neste planeta: o samba.
fdsfMas samba, samba! Daqueles compostos, musicados e cantados por aquela gente fina, por aquela nata que o filme mostra -- infelizmente não com os devidos detalhes, haja vista a dimensão de todos na história e os singelos 90 minutos da película... --, em grupos, em parcerias e amizades que de tão surreais parecem fantasiadas: Noel, Ismael Silva, Cartola, Wilson Batista, Geraldo Pereira, Vadico, Mário Lago, Aracy de Almeita, Francisco Alves, Almirante, Mário Reis...
fdsfHá o retrato de um momento mágico da nossa cultura: os anos 30, 40 e 50, que mostram uma cidade maravilhosa da onde se pode concluir que o samba não vinha do morro nem da cidade -- como mostra a tese de doutoramento defendida na USP por José Adriano Fenerick (v. aqui) --, e onde a cultura do povo era uma cultura rica, e a cultura rica era a cultura do povo. Enfim, uma simbiose fenomenal.
fdsfDe propalada e notória feiúra externa, Noel -- o qual trocou os bancos da Faculdade de Medicina pelos bancos dos botequins (e das praças e das ruas) do Rio -- encantava pelo carisma, pela poesia, pela genialidade, pela generosidade e pelo romantismo, que a bela cena final do filme muito bem retrata: Noel e Papagaio -- o seu melhor amigo, interpretado pelo grande Wilson das Neves --, a tocar e a cantar, respectivamente, "Último Desejo", uma das suas obras-primas (v. abaixo).
fdsfEnfim, consegue o filme (bem) fazer relembrar um dos nossos maiores beethovens, mozarts e bachs, e, principalmente, mostrar o quão curta é a vida que iremos (ou queremos) seguir e o tanto quanto nela se é possível fazer, de bom, plural e eterno.
fdsfE se soubesse eu escrever lágrimas, escreveria mais.
dsf
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fds
 
 

segunda-feira, 11 de maio de 2009

# aspas (xv)


Joseph Stiglitz, um dos grandes economistas da atualidade, ganhador do Nobel e que já esteve do lado de lá -- foi presidente do Banco Mundial --, assim disse sobre as teses&teorias e sobre as práticas&políticas da direita, responsáveis pelo grande colapso do sistema neoliberal e cuja crise hoje clama pelo Estado (v. aqui):
 
   “Não há dúvida sobre o grande erro desse pensamento.
   A direita dizia que os mercados se regulariam por si, se ajustariam por si, que se houvesse algum problema os mercados arranjariam-se por si e muito rapidamente.
   Essa noção da sobrevivência dos mais fortes é uma falácia — e a quebra dos grandes bancos é prova disso. (...)
   A ideia de que os mercados são perfeitos só é possível num mundo com informação perfeita, mas, ora, a informação é sempre imperfeita, e isso tudo fragilizou todas as teorias e doutrinas da direita sobre a economia de mercado, que falhou claramente!”.



 

sábado, 9 de maio de 2009

# a risada de ricardo iii

Ricardo III é uma das personagens mais cruéis de Shakespeare. Só perde em maldade para Lady Macbeth e para Iago, em Othelo. Ricardo é mais um gangster perverso da família dos Yorks, o quarto na linha de sucessão ao trono da Inglaterra. Em sua busca pelo cetro, ele elimina um irmão e dois sobrinhos até ser coroado rei.

A peça Ricardo III gozou de enorme popularidade em sua época e é, ainda hoje, uma das peças mais encenadas de Shakespeare. Ricardo é uma figura assustadora, capaz de todas as maldades para atingir seus objetivos. Feio e curvado, com um braço paralisado, alia a deformidade física à de caráter. Sua única qualidade é um traço de fino humor que permeia seu discurso.

No monólogo inicial da peça, Ricardo, sem meias palavras, revela a própria personalidade. “Eu, que não fui talhado para habilidades esportivas nem para cortejar um espelho amoroso; pois bem, eu, nestes dias de serena e amolecedora paz, não acho delícia em passar o tempo, exceto expiar minha sombra ao sol e dissertar sobre minha deformidade! (…) E urdir conspirações”.

Quando acusado por Lady Anne de ter matado o seu marido, ele, de espada na mão, responde ironicamente que o mandou para o céu: “Que ele me agradeça o favor que lhe prestei, enviando-o para lá! Nascera para essa mansão e não para a terra”. Cruel, mas bastante engraçado, não é mesmo?
Curiosamente, Ricardo, como Macbeth tem uma espécie de torcida, pois o seu humor acaba humanizando-o, fazendo com que a platéia ou o leitor torçam em algum momento, por ele.
Diferentemente de Iago, ele tem pesadelos ao final da peça.

Por que estou falando de senso de humor? Estou falando porque não tenho como deixar de comentar o “affair” Joaquim x Gilmar, que mexeu com o país nos últimos dias. Para dizer que a reação do juiz Joaquim Barbosa não foi uma resposta às palavras do Juiz Gilmar, que disse: “O senhor não tem condições de dar lição de moral”.

O ataque verbal teve uma importância secundária no ocorrido. O que fez com que Barbosa perdesse a postura não foram as palavras ditas, mas a risada dada por Gilmar; sarcástica, cheia de escárnio, deboche, profunda arrogância e desprezo. E isso, olhando na cara de Joaquim. Uma risada como aquela fere muito mais profundamente do que uma espada medieval iguais às que Ricardo usava para assustar seus pares, como fez com Lady Anne.

A risada não atinge o corpo, como um soco recebido, mas a alma, e lá dói muito mais. É dificíl não reagir a uma risada excessivamente mordaz. Assistam ao vídeo e vejam se estou enganado. Joaquim estava exaltado, no entanto, foi a gargalhada que o tirou do sério e o fez perder a serenidade de juiz. Claro que há discórdia nos bastidores, mas ninguém se segura diante de tamanho sarcasmo. E, entre pares! Isso não interessa ao Direito, mas ao Teatro e à Literatura, sim. E, se interessa ao Teatro, interessa à vida.

É preciso saber sorrir. A força do senso de humor faz com que até um monarca cruel como Ricardo possa ter a simpatia de alguém. Se Shakespeare escreveu catorze comédias e pôs figuras cômicas em todas as suas peças, mesmo na sombria Macbeth, é porque ele sabia da enorme importância do riso da vida dos homens.

Sorrisos amáveis, nunca sarcásticos. O sarcasmo é perverso, desprezível e desagregador.Link

Esse brilhante texto foi escrito por Theófilo Silva, presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília, e reproduzido no "Conversa Afiada", de Paulo Henrique Amorim (v. aqui), para explicar aquela lição e aquelas verdades ditas pelo Ministro Joaquim Barbosa ao (Supremo) Ministro Gilmar Mendes, naquele célebre discussão que, se você ainda não viu, pode ver aqui e entender o que custou uma sarcástica (e tola, e diabólica) risada.

# onzes

Com o iminente início do Campeonato Brasileiro, acabo de ver (e ler) a exaltação ao time do Inter, de Porto Alegre, não o do Limeira (v. aqui).
É claro que o time gaúcho é um dos favoritos ao título, por ter um time muito bom e por ter alguns jogadores diferenciados e que decidem jogo.
Porém, como diz a Folha/Uol ao comentar que o colorado tem "dois" times, descrevendo-o, ora, daí já é demais! Os reservas eleitos para as respectivas posições são, salvo, uma ou duas peças, fracos, bem fracos.
Indubitavelmente, o Brasileirão faz-se com um elenco, e não com um time; logo, esperar que estes "22" do Internacional façam a grande diferença é mentir, se enganar ou tentar ludibriar.
Caso contrário, o Clube Atlético Paranaense -- aquele escalado por nós, e não pelo Geninho, num outro esquema, diga-se... -- também pode se dar ao luxo de ter "21" -- tudo bem, 1 a menos... -- para jogar o Brasileirão, o que também é uma grande mentira, enganação ou tentativa de ludibriar a torcida:
Galatto (Vinícius); Raul (Nei), Rafael Santos (Gustavo), Antonio Carlos (Manoel) e Marcio Azevedo (Netinho); Valencia (Jairo) e Fransérgio (Chico); Walysson (Wesley), Julio dos Santos, Rafael Moura (Patrick) e Marcinho (William).

domingo, 3 de maio de 2009

# atleticanas (xiii)


O maior clube, com a maior torcida, a maior estrutura e o melhor time do futebol paranaense sagra-se campeão...


... e os coxas, na (grande?) festa dos seus 100 anos, acabam em 3o. lugar.