segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

# 2010

Se não 2012, voltaremos das férias apenas no dia 11 do próximo ano.
Felicidades. E até lá. Ou não.
fds

domingo, 27 de dezembro de 2009

# o mundo é dos ricos?


fds Em uma roda com vários amigos, uma pergunta chega a mim: "O mundo é mesmo dos ricos?".
fds A resposta, embora um tanto quanto óbvia e fácil, merece reflexão, em especial quando todos nós -- já sem importar a ideologia sócio-político-econômica que nos acometem -- parecemos concordar com ela.
fds Ora, é inevitavel que a única forma (e a única dinâmica) possível para que se altere este "estado das coisas" (ou este status statal) é por intermédio de ações políticas, por meio da atuação forte do Estado, em todas as suas instituições, e pela presença contínua dos movimentos sociais.
fds É evidente que os cidadãos, isoladamente, e a iniciativa privada, em selecionados momentos, tem parcelas de contribuição, de importância e de responsabilidade; porém, são por aqueles meios que a sociedade é capaz de se transformar e que o país (e o mundo) podem mudar -- e então deixar de ser, como todos parecem querer, dos ricos, sendo mais justo, mais igual e mais livre.
fds Mas, o que causa estranheza -- pero no mucho --, é o fato de as pessoas da direita (e, ipso facto, todas as pessoas que ali me cercavam) admitirem que o mundo seja dos ricos, admitirem que isso não está certo, mas, de repente, entenderem que a solução não está nas políticas públicas sociais e desenvolvimentistas, não está na existência eficiente e intransigente das insituições públicas e não está na atuação firme e brava dos movimentos sociais.
fds Para esse grupo, ao contrário, o que prepondera nesses três pilares é a sanha arrecadatória do Estado, a sanha intrometida do Ministério Público e a sanha bandoleira do MST.
fds Enfim, deste jeito, com tais conceitos e preconceitos, o único caminho é ver perenizada a trilha que leva ao único lugar possível, aquele onde o "mundo é dos ricos".
fds Sim, para alívio e conforto de toda aquela turma que, a simular a revolta e a indignação, na verdade perde o sono diante da mínima possibilidade de ver a bancarrota do modelo vigente de sociedade e de Estado brasileiro, de ver um Brasil -- o nosso mundo -- de todos, justo e igual, como deve ser e no qual todos devem ceder.
fds

 

# e assim caminha a humanidade (xv)


fd Enquanto isso, num agitado almoço de sábado pós-Natal, entre parênteses de uma longa conversa, discutia-se en passant a reviravolta na vida de uma pessoa ali conhecida de todos, a qual acabara de sair da bancarrota pessoal-financeira-empresarial e, dentre outras coisas, convertera-se discípulo de algumas dessas igrejas evangélicas neopentecostais.
fds E assim, após dar breves detalhes da nova vida do dito cujo, o mais experiente interlocutor da roda conclui:
fd - E agora, passada a gravíssima turbulência, parece que uma grande e antiga propriedade que possuía poderá ser finalmente regularizada. Porém, vejam só, ao invés de dar um jeito de vendê-la e ficar com o dinheiro, ele me disse que deixará toda ela como "parte" de pagamento para os tantos credores que ainda tem...
fd - Que bacana! - emendei, achando o gesto sensato, óbvio, legal, ético e natural... hã?!
fd Não!! Eis que, em uníssono, o interlocutor e, principalmente, as outras seis pessoas da roda, com caras, gestos, risos e gargalhadas, inapelavelmente acusam-me de... bem, de...
fds Ora, na verdade, a não-articulação de um raciocínio econômico-jurídico-moral por parte deles -- cujas monossilábicas e onomatopéicas palavras, sem sentido, aliavam-se às suas continuadas caras, gestos, risos e garagalhadas --, se não parecendo dar constrangida razão ao singelo comentário que fiz, buscava acusar-me de alguma coisa do tipo "ah, ele não entende disso...".
fd Ora, na minha lógica ético-jurídica, o devedor ter conseguido uma solução para pagar os seus credores pareceu ser uma atitude, no mínimo, bacana. E moral.
fd Mas para os outros que ali estavam, não.

fds

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

# natal

Na festa do Nascimento, na terra ainda muito pouco a se comemorar.

Na vida daqui, o ser continua, mais do que nunca, a querer sucumbir ao ter, em duas vertentes: você não tem, você não é; e você não tem o básico, e então você é menos ainda.

E nesse caos quase paradoxal, ao qual lutamos no combate diário -- afinal, o ter nada significa, senão quanto ao mínimo fundamental -- milhões não têm e não são.

Mas apenas aqui, porque na perspectiva da outra banda o Natal é para todos, igual, cada qual sendo pelo que é e cada qual tendo o que todos precisamos, fundamentalmente, ter.



São Paulo, região central. Morumbi, em laje e zinco, em jacuzzis e varandas. E um muro, num cenário de céu e inferno. É Deus e o Diabo na Terra da Garoa. E todos nós num purgatório. De que lado estamos? Para onde vamos? Até quando?

fds

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

# u-lula-lá (de novo)

Não me estranha que este homem, o cara, impressione o mundo.
Agora, escolhido pelo maior jornal da França, Lula é l'homme de l'année.



fds

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

# aspas (xxix)

Recentemente, o escriba (e fariseu?) Nêgo Pessôa fez uma das maiores declarações de amor já vista neste trópicos.

Era uma jura de amor eterno e total.

E acertou a mão, em cheio, como de regra acontece quando ele trata do cotidiano, dos modas e das modas e da vida, como ela é -- nessas áreas, a sua verve é ímpar (v. aqui).

Mas atenção, o Ministério da Saúde adverte: se o assunto for política-economia-sociologia-e-direito, data venia, fuja do nobre escritor, para o bem de todos e a felicidade geral da nação...
fds
"
A caminho da senectude (maravilhosa palavra) me tornei um comedor de pão. Ontem, depois de fazer a barba, tomar banho, me produzir, fui ao Marcolini, na praça Espanha; mandei descer o estoque. Comprei todos os pães. Tenho pão até 2014, ano da copa no Brasil – se não houver acidente.


PÃO&CIA
Gosto de pão de qquer jeito. E em todas as companhias, especialmente nas más, não abonadas pelas tradicionais famílias curitibocas. Gosto de pão a sair do forno, a queimar dedos&língua; gosto de pão dormido, de ontem; gosto de pão ao ponto, mal passado; gosto de casquinha de pão e gosto também da árdua casca do pão italiano, rústico, excelente teste para as renovadas arcadas.

PÃO S/A
Gosto de pão com manteiga e pão com margarina. Mas gosto também de pão sem manteiga e de pão sem margarina… como o Fernando Sabino jurava q viu em Portugal. E no azeite, então? E no azeite com sal&pimenta? E no sal? E na pimenta? E afogado no grosso caldo de feijão preto? E na minestra generosa? E nos molhos nos fundos dos pratos?

PÃO MATABORRÃO
Ah! O pão mata borrão! E no café com leite q minha mãe deixava pronto antes de partirmos de calças curtas pras aulas das manhãs frias do inverno iratiense? E o pão no vinho da italianada civilizadora? E o pão abrigo da cebolada dos nossos adoidados polacos? E o pão sírio? Filho da puta! Refratário ao enxuga-encharca-absorve! E as broas? Com miolo a 1000 graus Celsius! Com manteiga a se derreter? E as surubas, ié, e os sanduíches?

PAUSA PRA INTOLERÂNCIA
Não tolero pão de hamburger, pão só miolo como a faca só lâmina do poema do João; aposto q aquela carne moída melhoraria muito entre metades do velho de guerra pão dágua. Varrido do mapa pelo – filho da puta! – francesinho.

(...)
As vezes vou a Saint Germain só pra comprar pão dágua. As vezes desconfio q sou o último dos moicanos comedores de pão dágua. Estou tentado a armar confraria ou sociedade secreta dos comedores de pão dágua. Amo os perdedores. Tenho alma compassiva. Nos reuniremos nas catacumbas e compartilharemos irmamente, fraternalmente, o pão dágua q se extingue não com uma explosão, mas com um suspiro. Para degustar o pão v tem de mastigá-lo bem, com paciência, calma. Capriche."
fds

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

# chile: a esquerda paga o pato e o povo fica com o mico


E o Chile hein, quem diria, mostrou-se saudoso dos tempos de ditadura militar ou do mercado.

Após quase vinte anos de candidatos da "Concertación" -- uma coalização de partidos, a princípio, de centro-esquerda --, dois dos quais presididos por socialistas chilenos, desembocam, provavelmente, em um fracasso e na devolução do governo ao (neo)pinochetismo, sem ter rompido com o modelo econômico e sem ter conseguido desarticular a direita originária da ditadura militar.

O Chile, exibido pelas oligopolistas mídias nacionais e pelas instituições financeiras internacionais como o modelo supostamente bem logrado de implementação das políticas de "livre" mercado, volta às mãos dos que a formularam e a implementaram durante a ditadura pinochetista.

E assim, na contramão da América Latina (e de quase todo o mundo), tem tudo para retroagir e eleger no segundo turno o mais (i)legítimo representante do grande capital e da escola pinochetiana, para delírio da grande mídia nativa, dos conservadores latinoamericanos e de toda a direita que espia assustada o irretornável caminho dos progressistas governos da região.

Em suma, a esquerda chilena paga o preço das políticas do "Concertación", cujo grupo político aceitou inerte o antes fracassado -- e hoje retrógrado -- modelo neoliberal e, porquanto incapaz de mudar a vida dos grandes setores pobres do país, não conseguiu o apoio popular.

O Chile, infelizmente, dará vários passos para trás.

E sem ao menos parecer que serão para tomar o necessário impulso revolucionário.


 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

# aspas (xxviii)



No seu "Conversa Afiada", Paulo Henrique Amorim repercute o discurso do Governador do Paraná, Roberto Requião, no qual disse, para espanto de alguns, que "autoridades não devem gozar de sigilo", que "água é bem público imprivatizável" e que "o MST é uma dádiva de Deus, pois encaminha uma juventude excluída para um trabalho de militância social e para arar um pedaço de terra".

Eis o post do jornalista (v. aqui):

- Com o MST eu converso, disse Requião.
- Eu encaminho reivindicações ao Governo Federal; eu faço uma escola.
- Com o crime organizado -- que seria a alternativa para a juventude excluída -- eu faço o quê?, perguntou Requião.
- No MST, alguns querem o socialismo e eles têm direito a isso.
- Outros querem um pedaço de terra.
- E outros querem vender a terra -- e são esses que empurram o MST adiante.
- Eu conversei com o Governador Requião sobre a Sanepar.
- Uma empresa de saneamento que Daniel Dantas privatizou e Requião tomou de volta.
- Requião, ao contrário do Presidente Lula, enfrentou Dantas.
- Requião disse que gostaria muito de ver Dantas na cadeia.
- E disse mais, sobre a batalha do Presidente do Supremo e o delegado Protogenes: Requião acha que autoridade não deveria ter direito a sigilo.
- A nenhum sigilo, muito menos o telefônico.
- Só não pode divulgar conversas íntimas, privadas; o resto, todo mundo tem o direito de saber.
- O homem público é público, diz Requião.



 

# causas (e homens) imprescindíveis


Eu discordo de Bertolt Brecht, quando esse disse que não há homens imprescindíveis, mas sim causas imprescindíveis.

Na noite de hoje, quando estive aos arredores da Lapa/PR como convidado para as cerimônias em comemoração aos 25 anos do MST -- o maior movimento social da América Latina -- e de encerramento do ano letivo na "Escola Latinoamericana de Agroecologia" (v. aqui), a qual está contígua ao "Assentamento Contestado" (v. aqui) e situada numa antiga fazenda escravocrata do séc. XIX -- em cuja estrutura há a forte presença do Estado, a oferecer o mínimo aparato educacional, tecnológico e de saúde aos assentados e aos estudantes --, percebi que, ao lado das causas e dos caminhos imprescindíveis, há, sim, homens imprescindíveis, ainda que, claro, substituíveis.

Na medida em que a história é uma construção tremendamente coletiva, na qual andamos e colocamos as nossas pedras, percebi que aqueles tantos homens e mulheres que dirigem, trabalham e pertencem aos projetos e movimentos sociais que anseiam a concretização da solidariedade, da igualdade e da liberdade são, sim, fundamentais.

E imprescindíveis para a reforma e a revolução do nosso país, para a nossa transformação na definitiva busca por justiça e desenvolvimento social.


 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

# aquecimento global: a farsa do caos


fds Na esteira do que tantos cientistas por aí ensinam e informam (v. aqui e aqui, por exemplo), é mentira, reveste-se de farsa e consiste em atitude mendaz dos países ricos a condução que dão ao problema do "aquecimento global", e por tabela ao problema do clima. Sim, embora cedo ou tarde o mundo vá acabar, o planeta não está a esquentar, a ferver ou a derreter.
fds Não há, repita-se, qualquer evidência científica (física, biológica, geológica, estatística etc.) que demonstre um aquecimento global ou uma mudança climática causada pelo homem, por uma única razão: desde sempre o clima da Terra vem mudando! Períodos longos de muito frio ou de muito calor sempre existiram, e mudanças sempre aconteceram, antes, durante e depois, inclusive, do período da primeira revolução industrial. E, tudo isso, sem qualquer interferência de nós, humanos.
fds O assunto, resta evidente, deixa de ter os contornos científicos para consubstanciar-se em matéria político-econômica. E, por isso, como em tantas outras áreas, duvidar dessa "ortodoxia" mostra-se politicamente incorreto.
fds Esse novo moralismo hipócrita e beato que insiste em ser difundido pelo mundo traveste-se como outra conveniente ideologia, a propagar um pensamento único cuja idiossincrasia não serve para atender e promover os interesses e as necessidades do resto do mundo não rico. E é por isso que há tantas autoridades políticas lá em Copenhagen, tanta gente a querer (se) mostrar que está preocupada com o fim do mundo.
fds Ora, a grande parte de quem discursa e posa para fotografias nesta "V Conferência sobre Mudança do Clima" tem a grande missão de patrocionar os interesses do mundo desenvolvido, com vistas a diminuir as (gigantescas) responsabilidades que possuem, pelo passivo secular de desenvolvimento, e a segurar o crescimento e o desenvolvimento dos países pobres.
fds Em especial, os países ricos pretendem transferir a pecha de "maiores criminosos do planeta" para Brasil, China e India. E essa carapuça não irá nos servir, como muito bem disse o Presidente Lula no seu muito aplaudido discurso na capital dinamarquesa, afinal, esses três países, com a globalização, definitivamente consagram-se com as grandes líderes do mundo pós-moderno e as grandes fontes (e os grandes consumidores) do comércio internacional.
fds Portanto, promovido pela grande mídia conservadora e pelas indústrias e governos dos países ricos, este grande carnaval não pagão -- posto que já com ares de dogma religioso -- que se cria em torno da necessidade de se conter a pseudomudança climática e o (não) aquecimento global tem, portanto, um único objetivo: impedir progressos industriais vitais das nações em desenvolvimento, e evitar, pois, o fim da hegemonia euro-americana.
fds E assim penso, sem temer ser considerado um herege e conduzido à fogueira.


fds

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

# coxos


Desta vez sem choro, lá, e sem risos, cá, os coxas caíram, de novo, para a Segunda Divisão.
Mais do que a tristeza e a irritação, lá, e a alegria e a escárnio, cá, pelo rebaixamento, ficou o sentimento de vergonha.
Sem frustração, lá, e sem satisfação, cá, a selvageria patrocinada por bandidos travestidos de torcedores não manchou apenas a queda de um clube curitibano para a segundona.
Todos nós, lá e cá, sentimo-nos envergonhados da nossa gente curitibana.
O episódio manchou a cidade de Curitiba.

 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

# nos pulsos, impulsos sem pulso

fds E a nova onda das pulseiras que traduzem a pseudovontade dos adolescentes -- e crianças? -- em praticar atos libidinosos ou sexuais?
fds Certamente (i) fruto dos promíscuos impulsos de uma libertina mídia -- senhora soberana e incapaz de sofrer o controle do Estado, pois tudo propaga como sendo "censura" --, a qual não se cansa de usar&abusar de programas impróprios e inapropriados e que, urbi et orbi, faz do sexo assunto que nem Woodstock poderia imaginar, e (ii) consequência da absoluta libertinagem oferecida em casa, resultado de um laissez-faire paterno, cuja cômoda (e inconsequente) ausência e falta de controle -- vez que os pais por aí só pensam no trabalho, no ensinar a ter e nas regras pós-modernas de psicologia infanto-juvenil -- são incapazes de ver os monstros que os colégios são capazes de criar.
fds Definitivamente, não é dessa liberdade que mídia e filhos precisam.
fds

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

# aspas (xxvii)



Nesta oportunidade em que (i) se discute a urgência de se refundar as comunicações e a mídia no país e (ii) se acredita que a queda do Muro é a queda fatal das utopias, um pensamento intransitivo de Érico Veríssimo -- publicado na primeira parte da sua autobiografia “Solo de Clarineta: Memórias” --, cujo texto, inclusive, consta na epígrafe do recente livro escrito pelo editor deste blog (v. aqui e aqui):

fds"Tem-me animado até hoje a idéia de que o menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror.
fds
Mas, se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos o nosso posto".


 

sábado, 21 de novembro de 2009

# atleticanas (xxxviii)

fdsNão vi o gol de empate. Fugi ainda crente na vitória e no fim de mais um patético pesadelo.
fdsAinda tonto, numa mistura de alívio e frustração, encontro-me logo na saída do portão da Arena com um grande amigo -- mas que infelizmente pouco vejo -- cuja sensação é idêntica. Num fraternal abraço que durou dez metros e centenas de palavrões em relação ao nosso Atlético, ele, pelo rádio colado ao ouvido, escuta e, esgazeado, avisa: gol do Cruzeiro.
fdsProcelosos e em marcha pesada, avanço com o meu pai e do meu amigo quase nem me despeço. Quando então olho para trás e o vejo, sozinho e transtornado, a ter a mais escolástica e sincera reação para o (suposto) momento, atirando ao chão e destruindo rádio, fones e pilhas.
fdsE eis uma absoluta verdade: a indignação não tem preço, não merece amarras e não deve inibir os mais sinceros e consequentes sentimentos. O empate, ali, naquela hora, era inconcebível.
fdsAgora, o drama continua, até o decisivo jogo contra o Botafogo, no próximo domingo -- como aqui já previmos.
fdsE como diria um outro grande amigo, aja coração!
fds

# hybris & sophrosyne


Na reportagem da penúltima edição da maior revista de economia e finanças do mundo, a inglesa "The Economist" (v. aqui), diz-se que o maior perigo do Brasil é a "húbris" (ou hybris).

Este é um conceito grego que alude a uma confiança excessiva, à presunção e à insolência, que com frequência termina sendo punida.

Em oposição a isso está a "sofrósina" (ou sophrosyne), a virtude da prudência, do bom senso e do comedimento, que significa o autocontrole e a moderação guiados pelo verdadeiro autoconhecimento.

Ora, nem lá nem muito cá, o Brasil precisa, na verdade, continuar nesta marcha de reexame, de "conhecer-se a si mesmo", mas com a ousadia e a autoconfiança necessárias para sair da armadilha ideológico-conceitual que enxerga o binômio “capitalismo-democracia” nos moldes que a elite política e intelectual dos países ricos pseudocultiva.

Em suma, o Brasil deve evitar os excessos das ideologias ocidentais.

Na crise neocapitalista mundial, que ainda não chegou ao fim, faz-se a hora de levantarmos a cabeça e colaborar na construção de outro modelo de economia e filosofia política que não se deixe prender nos limites da cobiça sem limites, do consumismo sem limites e do também ilimitado laissez-faire.

O Brasil, com todas as nações em desenvolvimento e que refutam o pensée unique global, deve fixar como objetivo o adequado equilíbrio entre mercado e Estado, entre necessidades individuais e coletivo-estatais, entre igualdade e eficiência, entre crescimento material disforme e crescimento humano solidário, e entre alimentar os negócios inovadores e seus empresários, ao mesmo tempo que se alimenta toda a população com os direitos humanos fundamentais.

Aqui, portanto, não se deve temer a hybris, mas sim acomodá-la com a sophrosyne.

Eis então o caminho para o justo desenvolvimento de um país verdadeiramente soberano.


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

# ira natural

... e além disso, o calor atroz ainda provoca tudo isso que se vê, agora, aqui fora: torrentes, temporais, tempestades, dilúvios, raios, tufões, inundações, desmoronamentos, desabrigo, lama, lepra, loucura etc.
fds
(Não preciso mais me pronunciar. A própria natureza ajudou-me a dar uma breve e violenta resposta aos tantos emails que recebi a xingar-me pela ode ao frio feita abaixo. É a ira dos céus diante do horrendo calor.)
fds

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

# climatério


fdsDefinitivamente, esse clima amarelo-avermelhado, esfumaçante, quente e pulsante, não é civilizado. Não pertence, ao menos, à civilização curitibana da gema.
fdsPessoas a suar, a pingar, a malcheirar, a ferver, a sofrer, a cozer, a torrar, a se desarrumar, a se descabelar, a se defumar. Para quê?
fdsNão somos do Rio, nem somos lagartos, nem tomates verdes para serem fritos.
fdsNão estamos na Bahia e, por isso, diante do que se vê do lado de fora das janelas ou do lado de dentro das quatro paredes, não devemos sorrir (v. aqui).
fdsSomos de uma capital fria, de gente fria, de clima subtropical, sem clima para ter clima quente. Somos blasés demais para o todo contagiante calor que a quase todos despe, abraça, pinta e borda.
fdsPara que esse calor infernal, que tonteia, que turva, que amolece e que nos desfalece e resfolega? Quem é que aproveita esse sol todo? E a que horas? fd
fdsPresos (quase) todos num trabalho que exige a vestida presença 10 horas por dia e numa cama onde se levam mais 6 horas, a descontar tempos em trânsito e em higienes, restam, assim, somente as primeiras horas da aurora -- para apenas os heróis que lá estão em pé -- e as poucas últimas antes do crepúsculo noturno.
fdsE só.
fdsE já cai a noite, na qual (quase) ninguém fica ao léu a curtir as estrelas, mas confiscados em bistrôs, bares, bocas&boates, sendo, logo, irrelevante o tal alto-astral do tempo e do calor externos. Nesses lugares e nessas horas, se os gatos são mesmo pardos, todos eles são também poiquilotérmicos, sem, pois, se importar com tudo que está lá fora.
fdsEnfim, chega desta garrafa térmica que nos ebole; chega deste forno que faz de todos assados em potencial.
fdsChamem os bombeiros, os sorveteiros, os esquimós, as focas e os ursos.
fdsChamem todos para trazer de volta a paz, a bonança e as nossas sinapses.
fdsChamem até os escafandristas se for caso, para que tudo explorem até encontrar as cinzas e perpétuas nuvens que confortam e afagam.
fdsE assim, diferente de Goethe no seu leito de morte, devo dizer: "Grau, mehr grau!".
fdsfdsfds
 

# punhal & garfo

--- x ---
fdsOs últimos -- embora, nesta área, sejam os de sempre -- acontecimentos no mundo do futebol já não mais deixavam dúvidas acerca da imperiosa necessidade de se ter um verdadeiro "quarto árbitro", disposto em campo com um monitor que o permita, mediante os recursos tecnológicos que a televisão dispõe, interferir nos (in)vulgares erros dos trios de arbitragem que percorrem o esporte em todo o planeta.
fdsAgora, o que o mundo viu -- à exceção do árbitro e dos seus auxiliares -- no decisivo jogo de qualificação à Copa do Mundo de 2010, entre França e Irlanda, foi definitivo para que doravante assim a FIFA passa a exigir, ao menos nos torneios internacionais oficiais e nos campeonatos nacionais de primeira divisão.
fdsO bizarro erro da arbitragem, que validou o grotesco gol classificatório da França no final do primeiro tempo da prorrogação, deu cabo a 4 (quatro!) anos de intensa preparação por parte da seleção irlanadesa. Repita-se: o tosco gol, todo preparado com a mão esquerda do atacante francês, jogou no lixo 4 (quatro!) anos de jogos, treinos, viagens etc. aos quais a Irlanda se submeteu em toda essa pré-qualificação à Copa.
fdsInsistir nisso tudo como está, com todos à mercê dos bons&maus olhos humanos é, no mínimo, querer lavar as sujas mãos para deixar que os grandes e mais poderosos sejam (sempre) beneficiados por inescrupulosos arranjos que invariavelmente dependem do apito amigo.
fds

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

# à portuguesa


Em Coimbra, n'À Capella, está provavelmente o melhor lugar de Portugal para se ouvir o grande fado local, beber vinhos e viajar, à luz de velas e no mais intimista dos lugares: uma antiga pequena igreja ("capela") que remonta ao séc. XIV -- mas que hoje leva uma reformada estrutura do séc. XVIII --, localizada num pequeníssimo largo onde desembocam algumas das mais estreitas e medievais ruas da Sé Velha (v. aqui).
 
Por que lembrar-se disso agora? Afora a sempre vívida lembrança dos amigos (de sempre) e da vida lusitana (de outrora), há a decisão de logo mais, às 17:45 (hora de Brasília), na qual a "Selecção das Quinas", com a vantagem do empate, entra em campo contra a valente (e surpreendente) equipa da Bósnia-Herzegovina para então decidir uma das últimas vagas à Copa do Mundo de 2010.
 
Portanto, como se o hino nacional quisesse dizer especialmente aos jogadores: "às armas, às armas!".

E então levantai, hoje de novo, o esplendor de Portugal.

 
fds

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

# atleticanas (xxxvii)

ffComo está na moda, o grande Antônio Lopes também parece às vezes padecer de apagões. Como não é homem de se deixar levar por forças ocultas ou interesses oblíquos, somente isso pode justificar a excrescente escalação do bizarro Everton, responsável direto pelo primeiro gol e por tantas outras toscas jogadas, tamanho o péssimo posicionamento, a falta de qualidade e a perturbação psíquica. Um terror, uma das piores coisas que já apareceu na defesa do Atlético.
ffJunte-se a isso o inseguro&instável Rodolfo, co-responsável pelos dois gols contra, e que insiste em querer fazer o que não consegue e jogar como não sabe (mas... temos outro zagueiro?).
ffE, assim, prontamente se explica a derrota para o medíocre -- embora determinado, voluntarioso e empolgado -- Fluminense.
ffMas além da incapacidade técnica destes dois elementos, também deve ser debitada da superavitária conta do Lopes: (i) a não escalação do Patrick no lugar do Wallyson, pois precisávamos de alguém para prender a bola lá na frente, (ii) a não fixação de um jogador (quaisquer dos volantes) para "colar" no armador Conca (alma tricolor) e (iii) a colocação do medonho Renan no lugar do Rafael Miranda, quando esse nosso sempre eficiente volante saiu lesionado (neste caso, inventasse qualquer outra coisa, menos colocar o horroroso ruivo).
ffPor fim, insisto que o nosso esquema, pelas peças que temos, é o 4-4-2, à italiana (v. aqui, aqui, aqui e aqui). Espero que a volta do Marcinho, após ter cumprido suspensão, faça Lopes entender isso, bem como também espero que o nosso treinador não tenha se iludido com a meia-dúzia de minutos de razoável futebol do Alex Mineiro.
ffComo já previsto (v. aqui), salvo uma absurda 36ª rodada, a nossa decisão será contra o Botafogo, em casa.
--------- xx ----------
ffE os coxas realmente mostraram que não têm time para cair. Nem devem, e nem queiramos, believe it or not.
ffInapelavelmente, passaram por cima do Galo, time que, sem nada ter de mais, somente agora, e para sempre, sai do G-4.
ffCoisas do (quase) todo medíocre futebol atual.
fds

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

# despiértate


Hugo Chávez, o grande presidente venezuelano e um dos líderes desta América Latina que pensa e implementa novos rumos para nuestros países, por meio da independência política, da transformação sócio-econômica e do desenvolvimento nacional, não pode se dar ao luxo de cair na armadilha plantada pelos EUA.
 
Embora sob o comando -- será?? -- de um homem que quer se diferenciar dos tantos outros que fizeram do país mais poderoso do mundo o mais odiado, os grandes grupos político-economicos que dominam a nação estadunidenses não querem nada menos do que evitar a independência, a transformação e o desenvolvimento de qualquer outro país que não seja Israel, o Reino Unido e a China -- sendo que, neste último caso, por medo (econômico, financeiro, militar etc.) -- e, por isso, já agora pensam em colher os frutos de outra guerra, cujas sementes já vinham, aos poucos sendo plantadas.

Sim, depois de duas eleições seguidas vencidas por Hugo Chávez e depois de duas tentativas fracassadas de golpe, os EUA miraram e elegeram o mais novo vassalo latino-americano, a Colômbia, para, a partir dela, criar factóides que possibilitem invadir a Venezuela e aplicar um terceiro e definitivo golpe.

É claro que sob a ótica política o acordo militar assinado entre Colômbia e EUA, pelo qual tropas americanas poderão usar bases militares em território colombiano, deva merecer o adjetivo de apenas "inconveniente", vez que se trata de uma decisão, ainda que formal, "soberana" do Estado colombiano. Porém, já se percebe um clima de "pré-guerra" entre ambos.

E quem vai entrar no pseudoconflito para apaziguar, restabelecer a "democracia" na região e acabar com os maus meninos latinos? Sim, claro, os yankees.
 
Sob "n" argumentos mendazes, falaciosos e fantasiosos -- como historicamente são do feitio --, os EUA pretendem reentrar definitivamente em cena para acabar com o Estado que, com coragem e soberania, enfrentou os paradigmas da política e da economia neoliberal e permitiu que tantas outras nações latino-americanas seguissem (ou estudassem) o caminho.

Por isso, com vistas a pensar não apenas no seu próprio povo, a Venezuela precisa lembrar que com ela também estão tantos outros países e que uma guerra tão-somente frustrará os planos e o futuro de todo um continente, exemplo para o mundo na construção da alternativa.

E, por isso, o melhor que Chávez e a Venezuela devem hoje fazer é conclamar todo os países americanos, chamar todos os países do mundo e convocar todas as organizações internacionais e mostrar o que realmente está por trás desta provocação e destas ameaças do Estado colombiano.

Enfim, esse é o caminho, com o anúncio e a intimidação à paz, e não à guerra. Para frustração do Tio Sam.

 
 

# roleta da competência

O blog da Petrobras (v. aqui) traz uma das grandes notícias da semana: concluiu-se a perfuração do quarto poço na área do plano de avaliação de Tupi e o resultado reforçou as estimativas do potencial de 5 a 8 bilhões de barris de petróleo leve e gás natural recuperável nos reservatórios do pré-sal daquela área, localizado em águas ultraprofundas da Bacia de Santos.
Com as áreas em prospecção vizinhas, isso praticamente dobra as reservas brasileiras de petróleo, estimadas em 15 bilhões de barris. E isso corresponde a só 30% da área do pré-sal sobre a qual já se tem resultados mensuráveis.
Ninguém exageraria ao afirmar que estas reservas podem chegar a ser maiores que 60 bilhões de barris, o que colocaria o Brasil entre os seis maiores produtores de petróleo do mundo.

fds

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

# e as onças bebem água


fdsAdivinhem qual país das Américas atingirá o maior crescimento econômico neste ano de crise mundial? A Bolívia, que por 20 anos consecutivos (1985-2005) seguiu à risca os acordos com o FMI até se consolidar como o país mais pobre da América do Sul e, no final deste período, conseguiu ter a sua renda per capita mais baixa do que 27 anos antes.
fdsSegundo o próprio FMI, no seu último relatório, a economia da Bolívia registrará o maior crescimento na América Latina este ano com uma taxa de pelo menos 3%. Como assim? A Bolívia, aquela coisa insignificante, comandada por um índio e que vem praticando estatizações, políticas econômicas próprias, reformas estruturais radicais e distribuição de renda? Por supuesto...
fdsA partir de 2006, com e eleição de Evo Morales, tudo passou a mudar -- ainda que lentamente, haja vista os gigantescos problemas estruturais internos --. e, apenas três meses depois de assumir a presidência, o novo comandante descartou o FMI e nacionalizou a indústria de hidrocarbonetos (especialmente gás natural).
fdsNão é preciso dizer que isso não agradou as elites locais e a comunidade corporativa internacional, pelas quais o novo governo boliviano passou a ser diariamente massacrado, hostilizado e boicotado.
fdsA nacionalização e os crescentes lucros advindos dos royalties dos hidrocarbonetos, no entanto, têm rendido ao novo Estado bilhões de dólares em receita adicional, cujas rendas têm sido úteis para a promoção do desenvolvimento nacional e a diminuição da pobreza e da desigualdade. E aqui que se começa a fazer a diferença.
fdsE o outro país da América Latina que mostra desempenho diametralmente oposto à crise? Sim, o Equador, comandada por outro pirata (v. aqui), Rafael Corrêa, cujas vanguardistas políticas públicas (sociais, econômicas, estruturais etc.) destoam do pensée unique global e caminham, pari passu, com as teses, os planos e as ações da nova onda de esquerda latino-americana.
fdsEnquanto isso, o México, exemplo para a direita e os neoliberais brasileiros (e internacionais), fiel seguidor da cartilha global e vassalo dos grande grupos econômicos locais, afundará com uma contratação prevista superior a 7,5% (v. aqui, aqui e aqui).


fds

# u-lula-lá

(The Economist, 12/11/2009)
fds

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

# (in)felizzes

fdsRonda por aí uma versão adulta dos personagens dos Teletubbies que, crescida, parece ainda querer aliar o comportamento do pobre povo crente que, medusicamente, se doa a alguma dessas igrejas ultra-neopentecostais.
fdsA vagar por aí com a retórica missão de crescer (!?) e "querer construir" um mundo melhor, este pós-moderno grupo de pessoas autointitula-se "Família Felizz" -- isso mesmo, autografa-se com dois "Zs", talvez para diferenciá-la da imediata confusão popular que a identificaria como um blend da feliz "Família Folha" curitibana com o "McLanche Feliz" global -- e assim busca ser... felizz.
fdsPois bem, até aí nada contra, afinal, parvos ou não, o que sempre importa é a ação e a atitude certa, proativa e em busca do bem comum e de todos, com égalité, fraternité e justa (e séria) liberté, fundamentais para as relações humanas desde pelos menos 1789. Porém, parece que pouco disso está presente nos teletubbies.
fdsEmbora o blá-blá-blá tenha vestes de coletivismo, de cooperação e de comunhão, não precisa múltiplos neurônios para se perceber que, na realidade, nada mais buscam -- inclusive o grão-mestre -- a não ser a maximização do individualismo, do egocentrismo e da performance pessoal, típicas da atual vertente social, típicas de quem quer o melhor do melhor do melhor do mundo.
fdsEm aparente transe, a sua maioria crê que o melhor do mundo está em si e que a conquista do eldorado está na própria realização. Ou melhor, na maneira pela qual se fazem enxergar ou vender -- é, pois, a sede de imagem, a qual para eles é tudo.
fdsE pseudocontaminados -- vez que fora da aldeia (em regra) nada mudam --, em cada gesto e em cada palavra de quase todos os teletubbies você fica com a nítida impressão deles estarem querendo se vender, como um daqueles produtos Amway.
fdsSim, quando você avista um grupo desses vindo em sua direção -- abraçados ou não --, você vê ali aqueles típicos vendedores de um produto pasteurizado, prontos a te convencer que o mundo sem eles -- os próprios "produtos" -- é fadado ao fracasso. Ali, meus irmãos, a cura não está na Bíblia.
fdsNas atitudes deles, ainda, há frequentes mensagens subliminares que buscam louvar o máximo líder, um homem habilidoso que consegue arrebanhar ovelhas cabisbaixas, meio vazias ou com dificuldades pessoais, e delas cobrar uma quantia bastante expressiva -- um fim de semana com o guru não custa menos de mil e tantos reais -- para dizer-lhes as obviedades (e as mentiras) que todas querem ouvir.
fdsÉ "o segredo", best-seller na forma menos evoluída de um profeta high-tech que prega o networking para se fazer business entre novos brothers. É quase aquela música do Pagodinho com o Baleeiro.
fdsA turma, que surge de encontros e cursos com o pseudocientífico nome de "Treinamento Evolution", é formada na quase totalidade por pessoas que, com problemas das mais diversas ordens, pagam para ouvir palestras de autoajuda e realizar atividades infanto-juvenis; porém, como pega mal para as pessoas assumirem isso a quem lhes pergunta, diz-se que se faz um curso de "treinamento" ou de treinamento "empresarial", "comportamental", "desenvolvimentista" ou algo do gênero.
fdsE não digo porque "acho" isso, mas porque vejo o comportamento e porque tive o relato de alguns que confessaram do que se trata: um engodo que apenas reúne gente curiosa ou órfã de alto-estima e bom-senso, abusadas pela desequilíbrio pessoal.
fdsOra, os déficits humanos dessas -- e da (quase) totalidade das -- pessoas hão de serem discutidos e resolvidos não por conversas pirotécnicas, promovidas por um especialista em marketing pessoal que faz reunir a baixo-estima de tantos anônimos, mas, sim, por diálagos com familiares e amigos e com verdadeiros profissionais -- aqueles da psicologia, da psicanálise ou da psiquiatria --, os quais tem, respectivamente, o amor e a perícia para tanto. Afinal, são estes que, verdadeiramente, sabem lidar com as suas dores, frustrações, dúvidas, medos, expectativas, vontades e anseios.
fdsDepois, se o objetivo não é a "pessoa", mas os "negócios" dessa pessoa, deve-se parar com essa hipocrisia e dizer, às claras, que o negócio é gerenciamento empresarial e de carreira, e daí o foco (e o discurso) deve ser outro, ainda que com reticências múltiplas. Caso contrário, o embuste permanece, pois faria confundir "desenvolvimento humano" com sucesso pessoal.
fdsE assim, a felizz (?!) história da maior parte desses, repito, teletubbies, com um mendaz discurso do politicamente correto e da vida bela, se parece muito com aquelas histórias já bem comuns patrocinadas pelas nossas elites, que adoram fazer passeatas de branco pedindo pela paz, de preto exigindo menos tributos ou com roupas de grife empunhando cartazes escrito "Basta!".
fdsPorém, para o animador de auditório que abusa da fraqueza dos participantes e que tergiversa a ciência médico-comportamental, pensando que assim cria novos "super-homens" -- que, obviamente, nada tem de nietzchiano --, ser "felizz" não parece ter as mesmas prerrogativas (e as mesmas causas e consequências) que ser... feliz.
fds

domingo, 8 de novembro de 2009

# atleticanas (xxxvi)

fds Ainda que pouco empolgante, a formação tática é um tema inevitável para se discutir o Atlético, e já por isso reconheça-se a humildade (e a capacidade de ver e pensar o jogo) de Antônio Lopes, pois (implicitamente) assumiu que o esquema 4-3-3, com pontas e com um meio-de-campo vazio e inoperante, nas costas de Paulo Baier, deveria ser esquecido, visto que fracassado em quatro dos 6 jogos.
fds Ontem, na indiscutível vitória sobre o Goiás, voltou a adotar o 3-5-2 e, embora não seja o melhor -- em especial pela falta das peças essenciais que o sistema exige, razão pela qual preferimos o 4-4-2 à italiana --, apresentou-se relativamente bem, com muita segurança e inteligência, e pouco desespero e chutões.
fds Já agora sem qualquer risco lógico-técnico de cair -- a restar, apenas, o matemático, mas que sucumbirá à mais certa classificação à Copa Sulamericana --, cabe à Diretoria, além de renovar com a Comissão Técnica, promover uma limpeza (quase ideológica) no seu elenco.
fds Por baixo, há 12 jogadores sem qualquer capacidade de vestir a camisa rubro-negra e que fazem por merecer a imediata dispensa, talvez até "por justa causa".
fds No lugar, pois para completar elenco não há dúvida de que os jogadores da base darão conta do recado, contrate-se 2 grandes jogadores, essenciais para maiores aspirações: um zagueiro (técnico, elegante, um par perfeito ao grande Manoel) e um centroavante (citius, altius, fortius e artilheirus), aos quais devemos pagar centenas de milhares de reais, dar casa,comida&roupa-lavada e uma viatura de alto-luxo.
fds Sim, hoje o melhor negócio do mundo é o Atlético trocar dois por uma dúzia.
fds

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

# latifúndio eletromagnético

s
fdsfdsO Governo do Paraná, na esteira do que os outros 25 Estados da Federação fazem -- e o Governo Federal fará, em dezembro --, promove, de hoje a domingo, no "Canal da Música" e com transmissão ao vivo da TV Educativa, a Conferência Estadual de Comunicação (v. aqui), com vistas a pensar e debater um novo marco regulatório para as comunicações (a mídia, os veículos, as tecnologias etc.) no Brasil, (re)criando um sistema sob os estritos moldes constitucionais, de modo verdadeiramente livre e democrático.
fdsfdsA apresentar uma composição tripartite -- governo, empresas de mídia e telecom e "sociedade civil" -- e a ter três eixos de discussão -- meios de distribuição, produção de conteúdo e cidadania --, a Conferência tem, encrostado um fim maior: combater o "latifúndio do ar" e por um fim na maneira oligopolista, oligarca e patriarcal de se fazer comunicação no Brasil, na esteira do que vários países da América Latina vem fazendo (v. aqui, por exemplo, o que a Argentina já fez, com a sua nova "Ley de Medios").
fdsfdsO caminho? Visar à relativização da libertina liberdade de imprensa, a qual, por ser meramente mercantil e, portanto, refém do mercado, assenta-se não no interesse público e no seu compromisso constitucional, mas na conveniência da verdade, no obscurantismo da informação e no viés coronelista e golpista da existência.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

# a-diversidades

Não é apenas o clima e o comportamento social que enlouqueceram, afinal, vivemos numa época em que a raça (?!) não é simplesmente humana e que a opção (!?) sexual exige explicação.
fds

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

# atleticanas (xxxv)

O jogo decisivo para o Atlético será contra o Botafogo, na penúltima rodada, em casa. Afora esse, terá Goiás e Cruzeiro em casa, e Fluminense e Barueri fora, nos quais malemal conseguirá 3 (três) pontos.
E mesmo assim escapará do inferno; mas não, infelizmente, do purgatório, donde já há três anos vem a mostrar uma campanha ridícula e vergonhosa.
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Diante das tabelas que os times que lutam pelo título e que lutam para não cair têm e diante do momento e do elenco que cada um apresenta, à sombra da mangueira imortal desconfia-se que o campeonato será decidido no photo-chart, com os clubes a cruzar o disco final na seguinte ordem de chegada -- embora se espere (e se torça para) que a posição de um, à frente, e a não inclusão de outro, entre os debaixo, não se concretizem: São Paulo, Internacional, Palmeiras e Flamengo, na turma de cima, e Botafogo, Náutico, Santo André e Sport, na turma de baixo -- ou seja, lá ou cá, as duas maiores torcidas tricolores do Brasil estarão em festa.
fds

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

# aspas (xxvi)



Em formal visita da Organização Mundial da Saúde (OMS) à Cuba, a Diretora-Geral Margaret Chan traz a opinião da entidade sobre o sistema de saúde cubano (v. aqui).

Muita gente cortará os pulsos, ou falará que a cúpula da OMC recebe propina do governo cubano, que a Agência Reuteurs distorce as informações porque tem lucrativa parceria com o Granma, que toda a Diretoria da entidade passou todo o tempo embriagada de rum etc.
fds
   "(...) Chan said she toured Cuban medical facilities and came away impressed with the communist-led island's health system, which provides free care to all Cubans.
   Citing its strong health indicators on such things as life expectancy and infant mortality, she said, 'in a country of this level of economic development, to be able to achieve those very good health indices is not easy'.
   Cuba, she said, 'has the right vision and the right direction. Health is a state policy and health is seen as a right of the people'."




 

# atleticanas (xxxiv)

Engana-se quem pensa que o Atlético, no jogo de ontem contra o também mediano Santos, deu tudo o que tinha para dar e mesmo assim empatou o jogo. Jogou mal, apenas, e por uma maior causa: Baier esteve cansado.
Com o esquema adotado por Lopes nas últimas três partidas -- um nítido 4-3-3, com uma linha de quatro zagueiros, dois volantes, o armador, dois pontas e um centroavante --, Baier sofre, sofre e sofre muito. E ontem deu claros sinais de cansaço, já pelos 35 do primeiro tempo. E não é para menos.
Por isso, para que o nosso cérebro e maestro consiga, com tranquilidade, pensar e correr por pelo menos 80 minutos, mostra-se tão importante que as três peças do ataque funcionem, e para tal creio que Lopes pareça já ter encontrado a solução: ter um centroavante que consiga e saiba prender a bola -- e Patrick fez isso muito bem, embora tenha que aprender a fazer gol -- e ter dois pontas que façam jogar o jogo e que não desperdicem tantas bolas -- como o de lua Wallyson e o insuportável lua cheia Alex Mineiro têm feito --, compondo as nossas pontas com Marcinho (pois, além de ter voltado a jogar bem, ser experiente e dividir as responsabilidades de liderança, é atacante e não meia, como quer ser) e Wesley (pois, além de vontade, tem a impressionante capacidade orgânica e tridimensional de estar em todos os lugares do campo ao mesmo tempo).
Sábado, diante do Avaí, teremos essa contra-prova.
fds

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

# a verde-e-rosa vai passar, e ficar

No último domingo a Estação Primeira de Mangueira finalmente elegeu o seu samba para o próximo Carnaval.
E, sensacional! Como à sombra da mangueira imortal previmos, dentre os dez sambas finalistas venceu o melhor, aquele por nós cantado e reproduzido em som e verso, e que tem tudo para ser o melhor samba-enredo de 2010: "Meu Coração é Verde e Rosa", de autoria de cinco jovens sambistas mangueirenses.
Entre aqui, em nossa bula "Estação Primeira", e ouça porque a Mangueira é, definitivamente, a "música do Brasil".
fds

sábado, 24 de outubro de 2009

# ah, pérfidos!

fdOVERTURE (19/10, segunda-feira): entra em vigência a nova taxação para as aplicações estrangeiras na Bovespa e em renda fixa, com o intuito de segurar a acentuada valorização do real frente ao dólar e diminuir o ingresso de capitais de risco (especulação pura).
fdPRIMEIRO ATO (20/10, terça-feira): "Bolsa despenca 2,88% no primeiro dia de pregão após a nova cobrança de IOF"... "Brasil anda na contramão e medida afastará os investidores"...
fdSEGUNDO ATO (23/10, sexta-feira): "Cobrança de IOF será inútil" ... "Medida não altera disposição do mercado" ...
fdCABALETTA: E com essas manchetes os jornais e portais do PiG esquizofrenicamente expõem e explicam a pontual, mas modesta, medida intervencionista do Ministério da Fazenda no mercado financeiro.
fd(silêncios)
fdBem, na verdade, fechadas as cortinas desta ária, eis abaixo o que quis cantar a cambalaente mídia.
fdComo na terça-feira a bolsa fechou em queda, após sucessivas e elevadas altas, a grande mídia não perdeu tempo e já estampou nas manchetes, com o respaldo dos "observadores técnicos", que o Governo Lula quer (e vai!) quebrar o Brasil, a começar pelas bolsas.
fdNão deu certo. Como quarta e quinta-feiras fecharam com razoáveis altas (próximo a 1%, na média) -- e já hoje também (0,40%), sublinhe-se --, o PiG teve que mudar o discurso, uma vez que a turma do mercado financeiro não se avexou com o imposto de 2% e continuou a participar do cassino nacional. E de pronto já veio uma outra alcatéia de "especialistas" dizer que a medida tributária é inócua e vazia.
fdOra, afinal de contas, a medida serve ou não serve para alguma coisa? Ou seja, se se cobra 2%, diminuindo-se o ingresso de dólar (e de capital especulativo) no Brasil e aumentando o nosso câmbio, o Governo é insensato e suicida; por outro lado, se se cobra 2% e nada acontece no mercado financeiro do Brasil, com a Bolsa em alta e a normal continuidade no ingresso da moeda estrangeira, sem alterar o câmbio, o Governo é fraco, tolo e incompetente.
fdE assim segue o baile: não importa a causa ou a consequência, a culpa, ao final, claro que é sempre do Estado (porém, no fundo, todos já sabem que no arranjado cassino das bolsas o perde-e-ganha é a regra do jogo, os altos-e-baixos são constantes e as mudanças diárias e hipnotizantes...).
fdsfds
P.S. Para acalmar, escute agora, na voz de Montserrat Caballé, trecho de "Ah, Perfido!", Op.65, de Ludwig van Beethoven. E deixe de dar ouvidos ao PiG.

video

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

# camelo, agulha, foice e martelo


Na medida em que passa a ser politicamente incorreto ser de direita, ser conservador, ser neoliberal e ser qualquer outra coisa deste gênero -- como assim as últimas eleições, por quase todo o mundo (EUA, UE, América Latina), vem mostrando --, e como nenhum político quer ser assim rotulado -- ainda que todo o esquadrão e todos os pensamentos por trás e à sua volta não consigam negar isso --, pode escrever amigo leitor: (quase) todos os partidos e coligações, nas campanhas nacional e estaduais para as eleições do ano que vem, apresentarão os seus candidatos à (ou como de) esquerda; afinal, ser diferente disso é, digamos, inviável ou démodé.

Inclusive, acredito eu, faltará foice&martelo para tantos candidatos posarem junto, jurando serem comunistas -- ou algo assim -- desde criancinha. E José Serra será o primeiro!

Quem viver, verá!


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

# et... phone... home

Embora às claras no "perfil" da bula, acolhe-se a sugestão. E eis aqui o virtual e imediato contato com este escrevinhador: zgava@hotmail.com.
fds

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

# legalizar: uma solução eficaz


fdsDiante da última bula sobre a matéria (v. aqui), diversos leitores criticam a nossa posição acerca da imprescindível discussão que o tema das drogas exige, cujo foco, à sombra da mangueira imortal, reside na pronta liberalização do seu comércio.

fdsDe primeira, brevemente rebatemos os dois argumentos mais presentes nos emails e que comumente aparecem para justificar a ordem proibicionista.
 
fds(1) Aumentar-se-ia muito os gastos em saúde publica, para curar e dar conta do "imenso" aumento no número de drogaditos. Ora, fiquem tranquilos: os gastos para tratar esses nossos doentes será muito, muito, mas muito menor do que os gastos do erário em segurança pública, especificamente no combate e na prevenção do narcotráfico e, também, do tráfico de armas, cujo imponente arsenal, na sua quase totalidade, serve para abastecer o mercado das drogas. Isso sem falar dos gastos sociais que o Estado tem, diante das tantas famílias que se veem dizimadas pelas guerras civis e pela violência urbana. Ademais, a própria (e elevadíssima) tributação a ser criada em toda a cadeia produtiva desses produtos financiariam tais despesas.
 
fds(2) Teríamos milhares de Amsterdans espalhadas pelo Brasil. Ora, nem na própria Amsterdam isso é tão amsterdam assim, basta lá conferir, sendo hoje o país da UE com os menore índices de consumo de drogas leves entre os jovens -- e tanto é verdade que diversos países europeus já caminham entre a descriminalização do uso-posse-consumo da lei portuguesa e a ultraliberalização da lei holandesa, enquanto a União Européia já estuda formas de trazer a matéria em diretivas comunitárias. Ademais, o óbvio ululante: (a) seriam impostos limites horários e geográficos para o uso -- como se faz para o cigarro e o álcool; (b) seria criada uma severa fiscalização no seu uso e na forma deste uso -- como se faz para o álcool e para o cigarro; e (c) seriam intensificados e aperfeiçoados os instrumentos para prevenção, para não uso e para o uso "com moderação" -- como urbi et orbi faz-se com o álcool e com o cigarro. Tal argumento, portanto, reveste-se de muito preconceito -- haja vista o caráter não-social destas drogas diantes das outras drogas populares (álcool e tabaco) -- e pouca ciência.

fdsConcordo, apenas, que essa liberalização do comércio lograria êxito muito mais certo se praticada em larga escala mundial, sem, portanto, as imperfeições que adviriam na hipótese de grandes centros fechados a tais produtos.
fds
 

# cientistas fora do ninho

fdsSublinha a Carta Maior (v. aqui): três importantes cientistas que recentemente fizeram parte de gestões públicas tucanas -- todos, dentre outros cargos, foram ministros de FHC -- vêm a público dizer algumas verdades, indizíveis para a maioria daquela gente tosca da oposição, que tão-somente quer de volta aquele velho Brasil.
fdsPrimeiro foi o físico José Goldemberg, que em artigo publicado no Estadão (19-10) saiu em defesa da construção de hidrelétricas pelo governo Lula, objeto de críticas estridentes de uma gente que prefere esquecer os apagões de 2001 e 2002.
fdsDepois, na área da saúde, o respeitado cardiologista Adib Jatene vem intransigentemente defendendo a necessidade de um novo imposto, capaz de mitigar o estrago causado à saúde pública pela revogação da CPMF, outro "grande" ato recente da oposição demo-tucana, a reboque do grande capital.
fdsE, por fim -- e mais surpreendentemente --, o economista Luiz Carlos Bresser Pereira, em artigo publicado na Folha (19/10), manifestou explicitamente o seu desagrado diante da cotidiana e ininterrupta demonização do MST articulada pela mídia e pela direita (em especial os ruralistas), agora por conta da derrubada de "laranjeiras" em terras públicas ocupadas por uma gigante do agronegócio.
fdsComo aduz o jornalista Saul Leblon, naquela mesma Carta, "o que essas manifestações parecem indicar é uma rebelião da inteligência – ainda que avessa ao PT – contra a a idiotização da agenda nacional", comportamento tal promovido e liderado por uma mídia que, de forma xiita, quer apenas defender os históricos interesses nacionais: o conservadorismo, as oligarquias, o latifúndio e o grande capital.
fdsÉ esta, em suma, a vontade da direita representada pelos demo-tucanos. A vontade, repita-se, de se recuperar aquele velho Brasil, muito fagueiro e nada justo.
fds

# no hay vuelta, hay camino!


fdsDomingo, outro país latinoamericano terá eleito o seu novo presidente, o Uruguai, levando às urnas aproximadamente 2 milhões de pessoas para escolher o novo comandante nacional.
fdsE o resultado já é quase barbada, pule de dez: a frente de esquerda, neste último mandato liderada por Tabaré Vazquez e que agora tem à frente o socialista e ex-guerrilheiro revolucionário José Mujica, será reeleita.
fdsPrimeiro representante da esquerda uruguaia a chegar ao poder, em 2005, a quebrar a centenária alternância dos tradicionais partidos Blanco (centro-direita) e Colorado (direita) no poder, o Governo Vázquez -- hoje com mais de 60% de aprovação -- executou cruciais reformas no Estado -- em especial nas áreas administrativa, tributária e trabalhista -- e promoveu grandes avanços nas políticas sociais, de saúde e de direitos humanos (v. aqui).
fdsCientistas políticos e intelectuais uruguaios asseveram que a quase certa transição de Tabaré para Mujica será marcada por um aprofundamento das mudança, com reformas mais substanciais nas questões agrária e de educação e com políticas públicas que consigam, crescentemente, mitigar as desigualdades sociais ainda tão presentes no Uruguai. Afinal, afirmam os especialistas, na rara hipótese de se acontecer o contrário, com o retorno dos grupos do centro-direita, certamente haverá um freio no processo de reformas, que tem a ver com uma volta ao passado e ao patrimonialismo na política (v. aqui).
fdsPortanto, mais uma vez é irrefragável o caminho e as escolhas tomadas pelos povos latino-americanos, os quais passam muito longe dos conservadores, dos oligarcas, dos neoliberais e da direita de outrora.
fdsE para desespero da nossa Casa-Grande, 2010 está aí e em terra brasilis espera-se que também não seja diferente.
fdsAleluia, aleluia!
fds